- Moreangels Mbizah, bióloga conservacionista, fundou a Wildlife Conservation Action (WCA) como a primeira mulher africana negra a iniciar uma organização de conservação no Zimbábue.
- O ponto de virada ocorreu em 2014, em Hwange, quando um leão invadiu uma aldeia e matou um menino, levando Mbizah a perceber que proteger pessoas é tão importante quanto proteger os leões.
- A WCA usa estratégias comunitárias, como guardiões locais e bomas móveis, para evitar conflitos entre pessoas e animais e proteger rebanhos.
- Segundo a organização, os incidentes de conflito humano-animal caíram até 98% em Mbire, abrangendo 2,6 milhões de hectares e protegendo quase 18 mil animais de estimação, avaliados em cerca de 2,3 milhões de dólares.
- Mbizah destacou a importância de coexistir e de apoiar comunidades rurais que vivem ao redor de áreas protegidas, reforçando que não é possível proteger os leões sem proteger as pessoas.
Moreangels Mbizah, bióloga conservacionista, abrió caminho na Zimbábue ao fundar a Wildlife Conservation Action (WCA), primeira organização do país liderada por uma mulher africana negra dedicada à conservação.
O ponto de virada ocorreu em 2014, no parque nacional Hwange. Gb Mbizah monitorava leões para pesquisa de doutorado quando um dos animais entrou em uma vila, colocando moradores e o animal em risco. A equipe precisou agir para recuar o felino.
A cena foi traumática: dezenas de moradores cercavam o leão que protegia o corpo de uma criança de sete anos. A autoridade de vida selvagem intervenceu e matou o animal para recuperar o corpo.
A experiência levou Mbizah a perceber que não bastava proteger apenas os leões. Assim nasceu a WCA, que afirma colocar a convivência entre pessoas e animais no centro de sua atuação, buscando reduzir conflitos.
Iniciativas e resultados
A organização desenvolveu estratégias lideradas pela comunidade para proteger o gado. Guardiões locais recebem treinamento e são mobilizados quando sinais de predadores aparecem, permitindo a proteção das criações e redução de danos.
Entre as inovações, está a mobile boma, um cercado portátil envolto em plástico opaco. Quando o leão chega, ele não vê o gado; o som e o cheiro ainda existem, mas a barreira impede o ataque. Segundo a WCA, houve redução de até 98% em incidentes na região de Mbire.
A atuação da WCA alcança 2,6 milhões de hectares no vale do Zambezi, protegendo quase 18 mil cabeças de gado. O valor estimado das perdas evitadas chega a cerca de 2,3 milhões de dólares.
Contexto e motivação
Mbizah nasceu em Chiredzi, no sudeste do país, e relembra o primeiro contato com a vida selvagem aos 25 anos. Ela aponta que, em áreas rurais, a riqueza local depende do gado, o que aumenta o risco de retaliações contra animais quando há predadores ou saques de colheita de elefantes.
A história de Cecil, o leão famoso morto em 2015, também influenciou a trajetória de Mbizah. Ela lembra a ligação criada com os leões durante o trabalho de campo e o impacto emocional da perda.
A missão da WCA é evitar repetição de tragédias, mostrando que a proteção de leões depende de medidas que também assegurem a segurança e o sustento das comunidades locais.
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