- Estudo conjunto Brasil/Canadá, publicado na JCO Global Oncology, aponta que a incidência e a mortalidade do câncer de pâncreas em pessoas até 49 anos devem aumentar nas próximas décadas, com projeção até 2040.
- Embora continue mais comum após os cinquenta anos, fatores de risco como obesidade, tabagismo, álcool e dieta ultraprocessada ajudam a explicar o aumento em jovens.
- Nos Estados Unidos, há movimento para ampliar a conscientização sobre a doença, que tem taxa de sobrevida em cinco anos abaixo de 20%.
- No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer estima cerca de 13.240 novos casos por ano entre 2026 e 2028; exames como tomografia, ressonância magnética, ultrassom endoscópico e biópsia auxiliam no diagnóstico.
- Tratamento varia conforme estágio e local do tumor e pode incluir quimioterapia, radioterapia, cirurgia e terapias-alvo; inibidores de KRAS estão em estudo e devem chegar ao Brasil nos próximos anos.
O perfil de pacientes com câncer de pâncreas está mudando. Um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e do Canadá aponta que a incidência e a mortalidade em pessoas com até 49 anos devem aumentar nas próximas décadas, mesmo com a doença ainda sendo mais comum após os 50.
Publicada na JCO Global Oncology, a análise utiliza dados do Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study, que reúne informações de 204 países. Os resultados indicam um potencial crescimento do câncer de pâncreas precoce até 2040, impondo desafios para sistemas de saúde.
A pesquisa reforça que fatores de risco ligados ao estilo de vida, como obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e dietas ultraprocessadas, ajudam a explicar o aumento entre jovens. Ainda assim, a idade avançada permanece entre os principais fatores para o adoecimento.
Nos Estados Unidos, cresce a mobilização para ampliar a conscientização sobre a doença, diante de sua letalidade. O câncer de pâncreas figura entre os mais letais, com menos de 20% de sobrevivência em cinco anos.
O câncer de pâncreas costuma ser silencioso nos estágios iniciais. O diagnóstico pode depender de exames de rotina, como sangue e ultrassom abdominal, o que dificulta a detecção precoce. Sintomas como dor, náusea e icterícia costumam aparecer quando o tumor já está avançado.
No Brasil, o Inca estima cerca de 13 mil casos novos por ano entre 2026 e 2028. A prevenção, a vigilância clínica e exames de imagem são cruciais para identificação precoce, variando conforme fatores de risco individuais.
Grupos de risco incluem histórico familiar, mutações em BRCA, diabetes tipo 2 com início após os 40, e dor persistente nas costas. Há ainda o consumo de tabaco, álcool frequente e dieta desequilibrada como fatores relevantes.
O tratamento é definido pelo estágio e pela localização do tumor, envolvendo geralmente quimioterapia, radioterapia, cirurgia e terapias-alvo. Novas abordagens estão em desenvolvimento para ampliar as opções terapêuticas.
Entre as inovações em estudo, destacam-se os inibidores de KRAS, que devem avançar para aplicação clínica no Brasil nos próximos anos. Esses fármacos visam a mutação presente em grande parte dos casos e a proliferação celular associada ao câncer.
Avanços em quimioterapias também ganham espaço, com esforços para penetrar melhor o tecido tumoral, potencialmente reduzindo efeitos colaterais. A continuidade de pesquisas é apontada como essencial para ampliar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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