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Intrusão salina no Mekong Delta divide agricultores e cientistas

Intrusão de salinidade no Delta do Mekong intensifica divergência entre agricultores e cientistas sobre soluções de longo prazo

Most of Chi’s annual income comes from selling apricot blossoms — a symbol of luck and prosperity in Vietnam — around Lunar New Year.
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  • A intrusão de salinidade no Delta do Mekong aumenta, afetando lavouras e comunidades na província de Vinh Long, no Vietnã, especialmente em Nhuan Phu Tan, a 55 quilômetros do estuário do Co Chien.
  • Cheques de salinidade de 4 ppt atingiram áreas onde a produção de arroz já é prejudicada, levando agricultores a depender de água doce trazida por caminhões e de poços para armazenamento.
  • Em 2024 foi inaugurada a Cai Hang, uma porta d’água de 30 metros que garante água doce para milhares de hectares; agricultores a veem como alívio de curto prazo, mas especialistas alertam que não resolve o problema a longo prazo.
  • Cientistas defendem que a solução não está apenas em infraestrutura: o Delta precisa aprender a conviver com água salgada, com impactos na ecologia de zonas brancas e salinas, e na produtividade de longo prazo.
  • Planos regionais de 2013 a 2026 buscam integrar governança e gestão hídrica, mas a implementação esbarra em reformas administrativas, capacitação e necessidade de apoio continuado de parceiros de desenvolvimento.

Vinh Long, Vietnã — Khanh Chi cuida de um pomar de flores de damasco em Nhuan Phu Tan, região ribeirinha do delta do Mekong. A plantação fica a 55 quilômetros da foz, onde o Co Chien River leva água doce até o oceano. Ela vive da irrigação da área.

Segundo o observatório provincial, este é o ponto mais a montante do Co Chien onde, neste ano, a salinidade atingiu 4 ppt, nível que prejudica o cultivo de arroz. O avanço da água salgada tem aumentado nos últimos anos.

O governo constrói canais, diques e comportas para manter a água doce. Para os agricultores, essas obras oferecem alívio imediato, mas muitos cientistas defendem que a adaptação é necessária, não apenas a contenção.

Chi relata que compra água doce, transporta por caminhão e pulveriza como névoa durante a seca, quando o rio fica salgado. Ela trocou frutíferas por plantas ornamentais, mais resistentes ao sal.

Em sua plantação, Chi criou um reservatório de cerca de 25 metros quadrados para armazenar água da chuva ou da chuva. O depósito ajuda a manter água disponível em dias de maior intrusão salina.

A comunidade mantém um grupo no aplicativo de mensagens Zalo. Segundas e terças, um funcionário público divulga dados de salinidade coletados pelo observatório histórico da província. Agricultores também verificam fotos e leituras com seus medidores.

No ano passado, a população de Nhuan Phu Tan celebrou a inauguração de Cai Hang, uma porta de retenção de água de 30 metros de largura. O projeto, que custou cerca de US$ 5,7 milhões, promete água doce para 5.200 hectares durante a seca e a intrusão salina.

Para alguns agricultores, a primeira seca com a comporta aberta parece ter trazido benefícios. Cientistas, porém, alertam que essa sensação de alívio pode ser enganosa, pois não resolve o problema estruturante da salinização.

A intrusão salina não é nova na região, mas hoje é vista como a maior ameaça ambiental do delta. Dados do Banco Mundial indicam queda de 17% na renda per capita de famílias expostas a salinidade severa, em comparação com áreas não afetadas.

A combinação de barragens no alto do Mekong, extração de areia e sobreexploração de água subterrânea agrava o quadro. Pesquisadores estimam que, sozinhos, esses fatores podem expandir áreas salinizadas entre 10% e 27% até 2050.

Além disso, El Niño intensifica o efeito, elevando o nível de danos. Em 2016 e 2020, intrusões profundas destruíram áreas de arroz e geraram perdas superiores a centenas de milhões de dólares, segundo avaliações de organizações internacionais.

Especialistas defendem que soluções não devem depender apenas de infraestrutura. A ideia é aprender a conviver com a água salina, diversificar culturas e adaptar o manejo hídrico, conforme propostas internacionais.

As autoridades vêm adotando planos de longo prazo, como o Mekong Delta Plan e o Plano Regional Integrado do Delta do Mekong, com apoio de parceiros internacionais. No entanto, pouco avançou após reformas administrativas de 2025.

Em 2026, uma versão revisada do plano regional, ajustada às províncias consolidadas, foi aprovada. O desafio é retomar o ritmo com nova estrutura de governo e orçamento, sem perder foco na integração das ações.

Analistas destacam que a capacidade humana é crucial. Muitos profissionais que apoiavam o planejamento integrado foram realocados, o que atrasa a implementação de medidas unificadas para todo o delta.

Outra dificuldade é financeira. A adoção de ações coordenadas exige financiamento estável e cooperação entre ministérios, governos locais e parceiros internacionais, para evitar soluções desconexas.

Instituições internacionais reforçam que a resposta não é exclusivamente tecnológica. A troca de experiências com países como a Holanda é vista como caminho de aprendizado mútuo, com mistura de soluções baseadas na natureza e infraestrutura.

Na prática, agricultores já recorrem a estratégias próprias de sobrevivência, como armazenamento de água da chuva, tratamento de água e manejo de culturas mais resilientes, enquanto o governo testa modelos de intervenções mais amplas.

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