- A história de Chrissy Walters mostra o impacto do câncer cervical: diagnosticada aos 39 anos e hoje com a doença terminal, enquanto sua filha, de 12, vive com o risco crescente.
- A Austrália mira eliminar o câncer cervical até 2035, com possibilidade de alcançar o objetivo antes.
- O país adotou a vacinação nacional em 2007 com Gardasil, incluiu meninos em 2013 e passou a triagem baseada em HPV a cada cinco anos em 2017.
- Hoje são cerca de 6,3 casos novos por cada 100 mil mulheres; 85% das mulheres no grupo-chave já foram avaliadas; a vacinação de meninas com menos de 15 anos fica acima de 80%, mas há queda em alguns grupos indígenas.
- Eliminar o câncer cervical não significa erradicação total; o objetivo é menos de quatro casos por 100 mil, e o avanço enfrenta desigualdades, financiamento e adesão em países de renda mais baixa.
Australia aponta a meta de eliminar o câncer do colo do útero, um objetivo ambicioso que envolve vacinação, acompanhamento e mudanças no rastreamento.
Chrissy Walters, de Toowoomba, no interior de Queensland, foi diagnosticada com câncer de colo do útero avançado após complicações pós-parto. Ela já passou mais de uma década em tratamentos intensos e o câncer se disseminou. Hoje, o diagnóstico é considerado terminal pelos médicos.
A família de Walters vive com a doença diariamente; a filha, agora com 12 anos, convive desde pequena com a possibilidade da morte da mãe. Em 2026, a filha chega à idade em que começa a vacinação contra o HPV, parte do esforço público australiano para reduzir incidências futuras.
O que é a eliminação e como a Austrália atua
O país aposta em uma tríade de ações: vacinação, rastreamento e diagnóstico precoce. O Programa Nacional de Imunização inclui a vacina contra o HPV, oferecida a adolescentes, com fluxo que envolve escolas e unidades de saúde.
A transformação do rastreamento cervical inclui a transição de testes de Papanicolaou para o HPV, com detecção mais sensível e ciclos de triagem quinquenais. A coleta de amostras pelo próprio paciente também é estimulada.
Liderança científica e impacto da vacinação
A pesquisadora Karen Canfell destaca que a vacinação obrigou mudanças estruturais na saúde pública, com modelos que ajudam a prever a eliminação. A vacina Gardasil, desenvolvida com colaboração de Ian Frazer, foi um marco inicial.
Além da vacinação, o sistema australiano de rastreamento e a vacinação ampliada para meninos contribuíram para reduzir incidência e mortalidade desde 1982. Dados de 2021 não registraram casos entre mulheres com menos de 25 anos.
Desafios e equidade no caminho
A taxa de vacinação permanece alta entre meninas, mas preocupam quedas entre comunidades indígenas. Mulheres aborígenes e das Ilhas Torres Strait enfrentam maior risco e taxas de mortalidade, com detecção geralmente mais tardia.
Especialistas alertam que barreiras de acesso à saúde e custos indiretos podem atrasar a eliminação. O estudo ressalta a importância de manter o esforço público para ampliar cobertura vacinal e rastreamento.
Perspectivas globais e lições da Austrália
A eliminação, definida como menos de quatro casos por 100 mil pessoas, pode ainda levar anos para surgir completamente. A Austrália apoia países vizinhos e participa de iniciativas internacionais, fortalecendo lutas contra o HPV.
A colaboração entre governo, instituições de pesquisa e organizações internacionais é apontada como essencial. Embora haja incertezas, a meta de eliminar o câncer de colo do útero é apresentada como um objetivo alcançável com continuidade das ações.
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