- Em mil novecentos cinquenta e nove, a New York Central lançou o Hurricane Jet Snow Blower, um trem com motor de bombardeiro montado em um vagão, para soprar neve das agulhas e reduzir atrasos.
- Motores de jato usados incluem J-47, J-57, J-75, turbofan TF33 e até equipamentos de MiG-15; o trem se move devagar, entre seis e dez quilômetros por hora, para agir em cada trecho.
- O jato trabalha com exausto entre quarenta e seiscentos graus Celsius na saída, caindo para oitenta a cento e vinte graus na zona de trabalho, que derrete o gelo e lança neve a até trinta metros de distância.
- Riscos associados incluem dormentes que pegam fogo, possibilidade de arrancar o lastro, danos a cruzamentos asfaltados e objetos soltos virando projéteis nos pátios.
- Mesmo com a presença de soluções mecânicas, o soprado de jato persiste em nichos específicos, como neve muito compacta ou gelo já consolidado, especialmente em ferrovias da Sibéria, Canadá e Rússia.
Um trem operado com motor de avião e capaz de soprar ar a mais de 1.000 km/h circula há décadas em ferrovias do mundo. A proposta nasceu para enfrentar o gelo que paralisa trilhos no inverno e acelerar a limpeza em agulhas e cruzamentos. Em minutos, o que demoraria horas cai na prática.
O conceito surgiu em 1959, quando a New York Central Railroad revelou ao jornal que instalou um motor de jato de bombardeiro em um vagão modificado, com bocal giratório. O objetivo era afastar a neve acumulada nas junções dos trilhos. Logo evoluiu para um produto comercial.
Origens e evolução
Os Jet Snow Blowers derivam de motores militares excedentes da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria. Nos anos 1950 e 1960, turbojatos ficaram disponíveis a baixos custos após aposentadoria das forças armadas. O modelo inicial utilizou o motor J-47, comum em caças e bombardeiros.
Motores J-57 e J-75 também foram adaptados, acompanhando a expansão do uso ferroviário. O turbofan TF33, vindo do B-52, chegou a ser empregado pela CN Railways do Canadá. Em alguns casos, motores do MiG-15 foram usados em ferrovias da Sibéria.
Como funciona na prática
O operador atua numa cabine traseira, protegido do calor e do ruído. A velocidade média de deslocamento é entre 6 e 10 km/h, pois o bocal precisa agir metro a metro. Em pátios, a máquina pode ficar parada para limpar vários trilhos a partir de uma posição.
A temperatura de exausto sai entre 400 °C e 600 °C, caindo para 80 °C a 120 °C na região de trabalho. A água resultante pode derreter gelo rapidamente, sem danos se operada com a distância adequada. Neve e gelo são lançados a até 30 metros.
Riscos operacionais
Histórico mostra riscos significativos. Em 1968, a New York Central contava com dezenas de unidades em operação, e ferrovias buscaram o equipamento. Entre os desafios estão o fogo em dormentes tratados, possível deslocamento do lastro, danos a cruzamentos asfaltados e projéteis por objetos soltos nos pátios.
Justificativa de uso ainda atual
Sopradores mecânicos são mais comuns e baratos, mas perdem desempenho com gelo pesado. Aquecedores elétricos ajudam na prevenção, porém não removem gelo já consolidado. Em áreas de gelo extremo, como a Sibéria, a limpeza rápida de agulhas permanece essencial para evitar paralisações.
Essa realidade explica a continuidade do uso de motores de guerra em ferrovias de Canadá e Rússia. Em situações de neve alta e trilhos críticos, o Jet Snow Blower oferece remoção rápida de grandes volumes, assegurando a continuidade operacional em trechos sensíveis.
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