- Governo de New South Wales atrasou o início de fluxos ambientais em áreas úmidas do Gwydir, no norte do estado, para priorizar a colheita de safras de inverno.
- Documentos vazados por um porcionário mostram que o atraso ocorreu a partir da primavera, seguindo até o início do verão, mesmo diante de impactos em anfíbios, aves migratórias e ecossistemas locais.
- Em e-mails de 2025, técnicos alertaram que adiamentos prejudicavam o ambiente e os “contas de água ambiental”, citando que o atraso reduzia a diversidade de vegetação e habitats.
- Eventos detectados incluíram menos água disponível durante períodos de seca, com relatos de aves aquáticas, sapos e tartarugas prejudicados e até mortes de animais em áreas afetadas.
- Autoridades afirmam que a gestão de fluxos ocorre em consulta com a comunidade e especialistas, e mencionam que questões de uso da terra e atividades agrícolas influenciam decisões, enquanto há críticas sobre o peso de interesses de irrigadores.
O governo de Nova Gales do Sul tem atrasado regularmente o fluxo ambiental para áreas úmidas críticas no noroeste do estado, priorizando colheita de cereais de inverno. Documentos ligados a um fazendeiro trazem à tona decisões que podem afetar a reprodução de anfíbios e aves ameaçadas.
Um fazendeiro local divulgou emails que acusam os departamentos de Meio Ambiente e Água de adiar o início dos fluxos para parte da região de Gwydir, de primavera até o início do verão, para favorecer a colheita. A divulgação ocorreu após uma queixa de um proprietário rural.
A correspondente interna mostra que técnicos chegaram a recomendar o envio de água benéfica às nascentes, citando condições quentes e amenas que estimulariam florescimento de vegetação e reprodução de espécies como sapos. Mesmo assim, houve atraso alegando safra de inverno.
A área de Gwydir abriga quatro locais Ramsar e envolve planícies alagadas como Gingham, Mallowa e cursos inferiores do Gwydir. A fauna depende de chuvas, inundações e de fluxos ambientais geridos por governos estaduais e federais para o plano Murray-Darling.
Os emails indicam que os fluxos não começaram em várias áreas até outubro ou novembro, com início com volumes reduzidos em alguns casos, como no Lower Gwydir. Em 2024 e 2023, atrasos semelhantes também ocorreram para esperar atividades agrícolas.
Jonathon Guyer, criador que gerencia áreas úmidas na Mallowa, afirma que o atraso repetido de fluxos prejudica aves ameaçadas, como o tétono Australasian bittern, além de afetar outros animais. Ele aponta ausência de explicação sobre a base técnica das decisões.
Segundo Guyer, quando as áreas úmidas recebem água, há vida e atividade intensa de plantas, aves e anfíbios, o que não ocorre com o fluxo atrasado. Ele teme que anos semelhantes esgotem décadas de conservação feita na região.
Em mensagens de outubro de 2025, o governo informou que chuvas de agosto e setembro causaram resposta ambiental significativa, com sapos reprodutivos e migratórios de aves sendo observados. Atrasos podem exigir reinício de ciclos naturais.
Outra mensagem de setembro de 2025 advertiu que adiar fluxos aumenta o custo para os estoques de água ambiental, pois iniciar no período mais quente demanda volumes maiores para inundações equivalentes. A diversidade poderia diminuir com atrasos repetidos.
Em fevereiro de 2025, outro e-mail destacou impactos do verão 2024-25, com janela menor para entregar água devido à colheita. A mensagem apontou que os resultados desejados podem ficar comprometidos pela mudança de timing.
Um porta-voz do departamento disse que os fluxos são geridos em consulta com a comunidade e especialistas, por meio de grupos assessoria. Também afirmou que ajustes podem ocorrer para refletir atividades de manejo do solo, como a agricultura.
Um relatório federal recente indicou falhas na obtenção de acesso a terras para melhorar os fluxos no Gwydir, sob acordo com o governo federal há oito anos. A avaliação ressalta atrasos no cumprimento de compromissos.
A representante dos Verdes da NSW, Cate Faehrmann, pediu esclarecimentos sobre o episódio e pediu garantias de que o governo cumpre leis e tratados que protegem áreas ecologicamente relevantes como os detalhes Ramsar do Gwydir.
O porta-voz, porém, reforçou que as práticas de entrega de fluxos são distintas do que ocorre hoje no Vale de Gwydir. O governo tem mantido que decisões consideram gestão de recursos hídricos e defesa ambiental.
Fontes: The Guardian, com divulgação exclusiva de emails e entrevistas com o fazendeiro local.
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