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Censo marinho em Arraial do Cabo investiga origem de tartarugas e saúde oceânica

Censo marinho em Arraial do Cabo monitora tartarugas para entender origem e saúde do oceano, diante do turismo que desafia a conservação

Homem nada próximo de tartaruga-verde na praia do Forno, em Arraial do Cabo
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  • Censo marinho em Arraial do Cabo é realizado pelo projeto Costão Rochoso, que monitora tartarugas, peixes e corais para avaliar a saúde do oceano e o impacto do turismo.
  • Desde 2018, pelo menos 500 tartarugas já passaram pela cidade, todas fotografadas e com marcas únicas na cabeça para identificação.
  • Durante o pesquisado, as tartarugas são capturadas, pesadas e medidas; amostras de DNA são coletadas e, após os exames, retornam ao mar.
  • O estudo busca entender a origem das tartarugas (Atlântico, Caribe ou África) e o limite de estresse causado pela presença humana, com aproximação superior a três metros sendo associada a mudanças de comportamento.
  • Arraial do Cabo é uma Área de Relevante Interesse Ambiental (Reserva Extrativista) desde 1997, com pesca restrita e fiscalização pelo ICMBio; o turismo crescente gera conflitos e pressão sobre a biodiversidade.

O censo marinho em Arraial do Cabo, no litoral dos Lagos (RJ), busca identificar a origem de tartarugas, além de monitorar a saúde do oceano e a influência do turismo na região. Biólogos e oceanógrafos do projeto Costão Rochoso mergulham para medir populações de peixes e tartarugas, e acompanhar corais e cracas.

Durante as sessões de campo, as tartarugas são capturadas de forma controlada, pesadas e inspecionadas. Um pequeno trecho de epiderme é coletado para análise de DNA, e marcas na cabeça ajudam a identificar indivíduos ao longo de várias visitas.

O objetivo é entender a origem das tartarugas que aparecem na área, que pode envolver animais nascidos em ilhas do Atlântico, no Caribe ou na África. Ao final do exame, os animais são devolvidos ao mar com cuidado.

O estudo também avalia o nível de estresse das tartarugas diante da presença humana. Em Arraial, há relatos de manipulação inadequada que afasta as espécies, aumentando o gasto de energia.

A costa de Arraial costuma receber tartarugas juvenis, com cerca de 15 anos de idade. A vida média dessas espécies pode ultrapassar os 100 anos, e o local funciona como área de alimentação, com o deslocamento para o leste apenas quando chega a hora de migrar para áreas de reprodução.

A ilha da Trindade, a milhares de quilômetros ao norte, é o principal berçário de tartarugas-verdes do Brasil, distante da cidade fluminense. Os pesquisadores destacam que a variabilidade na temperatura e nos nutrientes influencia o ecossistema marinho local.

A água em Arraial é marcada pela ressurgência, que eleva águas profundas à superfície, gerando temperatura mais fria e maior disponibilidade de nutrientes. Isso favorece a vida marinha e contribui para a coloração azul do oceano, aspecto que atrai turistas.

A biodiversidade do município é reconhecida como uma das mais dinâmicas do estado. A localização favorece a pesca responsável e atividades de mergulho, com impactos que são monitorados pelo projeto.

Arraial está sob a proteção de uma Reserva Extrativista (Resex) desde 1997, com gestão federal e fiscalização do ICMBio. A pesca industrial é proibida; apenas atividades locais são permitidas, com controle de cerca de 20 agentes.

Entre as espécies protegidas estão coral-de-fogo, raia-viola e certos ouriços-do-mar. A pesca de algumas espécies, como budiões, raias e moreias, continua restrita, enquanto peixes para consumo local entram na lista permitida.

O Costão Rochoso começou em 2017 com apoio da UFF e, desde 2023, recebe patrocínio da Petrobras no valor de 6 milhões de reais. O projeto estende-se pela costa fluminense, de Campos dos Goytacazes a Paraty, acompanhando o manejo de áreas de conservação.

A equipe participa de conselhos de manejo, debatendo impactos da atividade humana na pesca de espécies cada vez menores, que enfrentam desafios reprodutivos. Mergulhos periódicos acompanham a diversidade marinha ao longo do litoral.

Situações de calor extremo, mudanças climáticas e branqueamento de corais são realidades que afetam o ecossistema. O grupo monitora sinais de estresse em espécies costeiras, com foco na resiliência a variações ambientais.

Parte das observações ocorre nos costões rochosos, locais de fácil acesso para a coleta de dados e para a avaliação de habitats críticos. A transparência da água facilita a identificação de espécies ainda à distância.

Juliana Fonseca, bióloga do Costão Rochoso, destaca que avanços com câmeras subaquáticas ajudam a mapear comunidades. Observações recentes indicam a presença de cardumes de determinadas espécies de peixe que já voltaram a aparecer com maior frequência.

A reportagem foi realizada com apoio da Petrobras e com base em dados de campo, entrevistas com pesquisadores e informações públicas sobre a região.

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