- O Institut Pasteur de São Paulo quer monitorar populações de ratos na capital para identificar vírus com potencial de infectar humanos e mapear riscos de novos surtos.
- O projeto, aprovado no fim do ano passado, é coordenado pelo biomédico Robert Andreata e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo; há acordo com a Covisa para capturar os animais, ainda em assinatura.
- Atualmente, o monitoramento viral em roedores urbanos é pouco frequente e voltado a bactérias como leptospirose; a equipe usará sequenciamento e abordagens de metagenômica para detectar vírus, inclusive desconhecidos.
- Serão coletadas amostras de duas espécies presentes na cidade — Rattus rattus (rato-preto) e Rattus norvegicus (ratazana de esgoto) — principalmente em hotspots com más condições sanitárias.
- O instituto dispõe de laboratórios de biossegurança nível 3; o plano prevê a coleta de 400 roedores, com perspectiva de desenvolver ferramentas de diagnóstico e ligar a detecção de vírus em pessoas a quadros leves.
O Institut Pasteur de São Paulo lança um programa para monitorar ratos na capital em busca de vírus com potencial de infectar humanos. A iniciativa visa mapear patógenos desconhecidos para apoiar ações de vigilância sanitária. O estudo envolve coleta de amostras e sequenciamento genético.
A coordenação fica a cargo do biomédico Robert Andreata, 34 anos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Um acordo com a Prefeitura de São Paulo, por meio da Covisa, deve viabilizar a captura dos roedores para análise nos laboratórios do instituto.
O projeto foi aprovado no fim do ano passado e depende de assinatura do convênio com o município. A primeira etapa envolve seleção de áreas com infestação de roedores, principalmente as espécies Rattus rattus e Rattus norvegicus, presentes na cidade.
Parcerias e andamento
O plano prevê a coleta de amostras em áreas de infestação, onde o controle de ratos já é uma atuação do poder público. A triagem inicial usará sequências conhecidas e técnicas de metagenômica para identificar vírus ainda não descritos em roedores urbanos.
No laboratório, a equipe pretende extrair, amplificar e sequenciar o material genético das amostras, comparando os resultados a bancos de dados globais. A vigilância deve priorizar hotspots com condições sanitárias precárias e contato frequente entre humanos e animais.
Sobre o instituto
O Pasteur de São Paulo fica no campus da USP, no Butantã, e funciona com laboratórios de biologia molecular e três instalações de biossegurança nível 3. A estrutura facilita pesquisas sobre doenças emergentes e reemergentes, com foco em situações urbanas de risco.
Os estudos já mostram que a circulação de vírus em roedores urbanos é pouco conhecida no Brasil. O objetivo é entender quais patógenos podem circularem nesses animais e se representam risco de transmissão à população.
Ao final, a equipe planeja desenvolver ferramentas de diagnóstico para os microrganismos detectados, conectando detecção em roedores com vigilância de casos em pessoas. O projeto busca, assim, ampliar a compreensão de zoonoses em contextos urbanos.
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