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Achados arqueológicos em senzala no interior de SP ajudam a reconstruir história

Achados na antiga senzala da Fazenda do Pinhal, em São Carlos, revelam ocupação escrava e ajudam a resgatar a memória negra da região

Chão de terra batida, de cor marrom, da antiga senzala da Fazenda do Pinhal. Na imagem, há manchas pretas e brancas, provenientes das fogueiras feitas pelos escravizados. No centro, observa-se os resquícios da estrutura da fundação de uma das paredes da senzala.
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  • Arqueólogos encontraram restos de fogueiras, cachimbos e moedas no piso original da antiga senzala da Fazenda do Pinhal, em São Carlos, enterrados a cerca de cinquenta centímetros de profundidade.
  • As escavações realizadas entre 2022 e 2025 integram o Plano Diretor de Gestão Patrimonial da fazenda (PDGP) com o objetivo de reinscrever o trabalho e o trabalhador na paisagem da propriedade.
  • A senzala foi edificada na primeira metade do século XIX, passou por reformas ao longo dos anos e contribuiu para a expansão cafeeira e a escravidão na região.
  • Os artefatos ajudam a entender a ocupação das pessoas escravizadas e também as tentativas de apagamento da história no pós-abolição, destacando as fogueiras como espaço de sociabilidade.
  • Pesquisas são lideradas por Joana D’Arc de Oliveira, com participação de ex-moradores da fazenda, ressaltando a memória das famílias negras ligadas ao Pinhal.

Restos encontrados no piso original da antiga senzala da Fazenda do Pinhal, em São Carlos, indicam formas de ocupação e evidenciam tentativas de apagamento da memória histórica. A descoberta inclui fogueiras, cachimbos e contas de colar, enterrados a cerca de 50 centímetros de profundidade.

As escavações, realizadas entre 2022 e 2025, integram o Plano Diretor de Gestão Patrimonial da Fazenda do Pinhal. O objetivo é reinscrever o trabalho e o trabalhador na paisagem da propriedade, que tem valor histórico desde o século 19.

A Fazenda do Pinhal teve sua origem na Amazar de café na primeira metade do século 19, sob o comando de Antônio Carlos de Arruda Botelho, o Conde do Pinhal, e de sua segunda esposa, Ana Carolina. A propriedade é tombada pelo estado desde 1981 e pelo Iphan desde 1987.

Contexto histórico

As investigações corroboram a relação entre a senzala e a expansão cafeeira no interior paulista. Os arqueólogos identificaram camadas de ocupação, incluindo pisos de terra batida originais, cobertos por intervenções posteriores de cimento e lajota.

A pesquisadora Joana D’Arc de Oliveira, professora da USP, destaca a importância de reconhecer as populações negras que viveram na Fazenda do Pinhal e contribuíram para a história local, especialmente após a abolição.

Achados arqueológicos e significado

Entre os artefatos aparecem restos de fogueiras, utilizados para aquecer, cozinhar, além de encontros comunitários, trocas de saberes e rituais entre as famílias negras que ocuparam o espaço no pós-abolição.

Cachimbos e moedas antigas também foram recuperados, formando um conjunto de cultura material que ajuda a compreender as dinâmicas de vida e de repressão na região ao longo do tempo.

A pesquisadora Joana D’Arc ressalta que muitos elementos da arquitetura negra foram apagados ou sub-representados nos registros oficiais, reforçando a necessidade de restituir a memória dessas comunidades na paisagem patrimonial.

Avanços do estudo e próximos passos

As escavações também revelam as distintas fases de uso do edifício, com mudanças de piso ao longo dos séculos e a preservação de traços da senzala original. O projeto envolve a reconstituição histórica e o mapeamento de vestígios em relação aos trabalhadores que nela viveram.

A equipe científica continua o levantamento para ampliar o entendimento sobre a presença negra na Fazenda do Pinhal no período imediatamente pós-abolição, contribuindo para uma visão mais completa da história local.

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