- O revestimento é feito de nanotubos de carbono alinhados verticalmente, que formam uma “floresta” capaz de prender a luz e dissipá-la como calor.
- A absorção de luz é de cerca de 99,965%, fazendo a superfície parecer plana e sem relevo, como um círculo bidimensional.
- Não pode ser usado em roupas ou tecidos: é aplicado em superfícies específicas a altas temperaturas e é frágil ao toque.
- As principais aplicações ficam na indústria aeroespacial e militar, em telescópios e câmeras de satélite para evitar reflexos e obter imagens mais nítidas.
- A exclusividade de uso na arte gerou polêmica com o artista Anish Kapoor, incentivando o desenvolvimento de opções open-source como o Black 3.0.
O revestimento mais escuro do mundo, criado a partir de nanotubos de carbono alinhados, supera 99,9% da luz. A sombra não vem de pigmento, e sim da arquitetura da superfície, que prende a luz entre os tubos até dissipá-la como calor.
A estrutura cria ausência de relevo aparente: objetos revestidos parecem círculos planos e vazios. Dados do NPL, laboratório britânico, indicam que até formas tridimensionais perdem percepção de profundidade ao receber o material.
O método envolve crescer nanotubos verticalmente a cerca de 400°C em câmaras de vácuo. A composição base não é tinta: é a própria superfície que recebe o nanotubo, tornando o material frágil ao toque e não passível de costura em roupas comuns.
Aplicações reais
Indústrias aeroespacial e militar são as principais usuárias. Telescópios e câmeras de satélite utilizam o revestimento para reduzir o brilho de estrelas vizinhas e obter imagens mais nítidas do espaço profundo, recurso vital para missões da NASA e da ESA.
Segundo a Surrey NanoSystems, o revestimento tem absorção de luz de 99,965%, com percepção de relevo nula. Em contraste, tintas pretas convencionais absorvem entre 95% e 98% da luz.
Polêmica na arte
Na esfera artística, o uso exclusivo do spray Vantablack S-VIS por Anish Kapoor gerou críticas por limitar a participação de outros artistas. A polêmica estimulou o desenvolvimento de tintas pretas alternativas open-source como o Black 3.0, com eficiência menor, porém acesso livre para criadores.
O debate destacou a tensão entre exclusividade tecnológica e democratização da ciência. Pesquisadores e artistas passaram a explorar soluções abertas para ampliar as possibilidades criativas.
Futuro do material
Pesquisas visam aumentar a resistência mecânica e permitir aplicações em temperaturas mais baixas. Objetivos incluem painéis solares ultrafinos e camuflagem térmica, ampliando o leque de usos da absorção total da luz.
Para físicos e engenheiros, o domínio da luz representa avanço técnico de alto impacto. A tecnologia reforça que a escuridão absoluta resulta da organização precisa da matéria, não da ausência dela.
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