- Desde 2017, o estado de São Paulo dedica a primeira semana de maio à conscientização sobre o parto normal e humanizado.
- A OMS afirma que o ideal é entre 10% e 15% de cesarianas, mas no Brasil a taxa ultrapassa 55% e pode chegar a mais de 80% na rede privada.
- Fatores culturais, medo da dor, atuação médica e falhas na estrutura de hospitais ajudam a explicar a alta incidência de cesáreas.
- O parto normal traz benefícios para mãe e bebê, incluindo maior vínculo afetivo, início de amamentação e menos riscos quando não há indicação médica para cesárea.
- Durante o parto vaginal, há compressão do tórax do bebê que ajuda a eliminar líquidos dos pulmões; o contato imediato favorece a regulação de temperatura e batimentos cardíacos.
O parto normal é incentivado no Brasil há anos, mas permanece como minoria, apesar dos benefícios para mãe e bebê. Em São Paulo, a primeira semana de maio é dedicada a promover essa prática desde 2017, em meio a um debate sobre altas taxas de cesárea no país.
Segundo a OMS, o ideal é 10% a 15% de partos normais. No Brasil, o índice é superior a 55%, superando 80% na rede privada. O dado evidencia um fenômeno complexo envolvendo cultura, prática médica e organização do sistema de saúde.
Conforme explica o Dr. Nélio Veiga Junior, a cultura do medo da dor e a desinformação influenciam a decisão pela cesárea. Além disso, a agenda clínica e a conveniência operacional em hospitais pesam na escolha, principalmente na rede privada.
A prática de cesariana sem indicação médica aumenta riscos para mãe, como infecções e hemorragias, e para o bebê, com maior chance de dificuldade respiratória. O parto normal, quando indicado, favorece a fisiologia da mãe e a adaptação do recém-nascido.
O trabalho de parto envolve a liberação de ocitocina, o chamado hormônio do amor, que sustenta as contrações, o vínculo mãe-bebê e o início da amamentação. Esse conjunto de respostas hormonais facilita o processo de nascimento.
Durante a passagem pelo canal de parto, o tórax do bebê é comprimido naturalmente, ajudando a expulsão de líquidos pulmonares. Bebês que nascem por via vaginal costumam apresentar menos necessidade de suporte respiratório.
Além dos aspectos fisiológicos, o contato imediato entre mãe e bebê durante o parto normal é apontado como fator positivo para a regulação da temperatura corporal e do ritmo cardíaco do recém-nascido.
Especialistas destacam que informar adequadamente as gestantes e oferecer suporte adequado é fundamental para ampliar o protagonismo feminino no parto. Ambientes acolhedores também ajudam a evitar intervenções desnecessárias.
O que pode mudar
Para reverter o cenário atual, é essencial fortalecer o acesso a informações de qualidade, capacitar equipes e melhorar a infraestrutura hospitalar. O objetivo é promover o parto normal sempre que não houver indicação médica contrária.
Papel da informação
A ciência mantém que a cesariana tem papel essencial em situações específicas, mas pode trazer riscos quando realizada sem indicação. O parto normal, por sua vez, envolve processos hormonais naturais que ajudam o nascimento.
Benefícios e impactos
O parto normal favorece a adaptação do bebê, a experiência de vínculo e o início precoce da amamentação. A adoção de práticas que apoiem a escolha consciente fortalece a saúde materna e infantil a longo prazo.
Sobre o especialista
Dr. Nélio Veiga Junior (CRM 162641 | RQE 87396) é ginecologista e obstetra, mestre e doutor em Tocoginecologia pela UNICAMP. Atua em consultório privado e já atuou como preceptor e pesquisador na região.
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