- Brasil é o sétimo maior consumidor de medicamentos do mundo e mais de noventa por cento da população admite se automedicar.
- O fenômeno chamado “tiktokização” da saúde usa influenciadores como substitutos do médico, promovendo remédios sem base científica.
- Pesquisa da Afya, em parceria com a healthtech Conexa, aponta que quarenta e nove por cento dos pacientes já usam inteligência artificial para tratar questões de saúde.
- A automedicação mata cerca de vinte mil pessoas por ano e está associada a um aumento de dezoito por cento nas internações por intoxicação.
- Recomendações: consulte um médico antes de iniciar qualquer medicamento, desconfie de conteúdos que prometem resultados rápidos, não siga indicações de influenciadores sem avaliação profissional, informe todos os produtos usados ao médico e valorize o acompanhamento contínuo.
O Brasil é o 7º maior consumidor de medicamentos do mundo, com mais de 90% da população admitindo automedicação. O hábito, cada vez mais alimentado pelas redes sociais, eleva riscos à saúde de milhões de pessoas.
Conhecido como a “tiktokização” da saúde, o fenômeno transforma influenciadores digitais em substitutos de médicos, promovendo remédios e suplementos sem base científica. Especialistas alertam para perigos desse formato de conteúdo.
A psiquiatra Dra. Cláudia Ketter, professora da Afya Educação Médica, explica que algoritmos reforçam conteúdos repetidos e criam o “efeito de verdade ilusória”. Vídeos com promessas rápidas geram confiança não recíproca, porém potente.
Essa dinâmica resulta em busca crescente por soluções fora do consultório. Pesquisas da Afya, em parceria com a healthtech Conexa, indicam que 49% dos pacientes já recorrem à inteligência artificial para tratar questões de saúde.
Segundo Dra. Cláudia, há uma dimensão cultural: baixa tolerância ao sofrimento e desejo de alívio imediato, amplificados pela tecnologia digital, que oferece gratificação rápida e dopaminérgica.
Emoções como tristeza, ansiedade e frustração passaram a ser tratadas como doenças, elevando o uso de ansiolíticos, antidepressivos e combinações com produtos naturais. O perfil de atendimentos muda nas emergências.
A automedicação está associada a cerca de 20 mil óbitos por ano no Brasil e a um aumento de 18% nas internações por intoxicação, segundo pesquisadores da área, com impactos diretos na rede de saúde.
Riscos adicionais incluem doenças mascaradas, interações perigosas entre fármacos e naturais, tratamentos iniciados inadequadamente, dependência e atraso no diagnóstico correto de condições graves.
Dra. Cláudia defende uma abordagem mais criteriosa: o medicamento é ferramenta, não solução universal. Ela orienta buscar orientação médica antes de iniciar qualquer medicamento.
Entre as recomendações estão consultar um profissional antes de qualquer medicamento ou suplemento, desconfiar de promessas rápidas, evitar remédios indicados por influenciadores e informar todos os produtos usados ao médico.
Também é essencial manter acompanhamento contínuo, não apenas consultas pontuais, para promover decisões informadas e seguras sobre saúde.
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