- Em audiência da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, especialistas destacaram a vacinação contra o HPV como medida essencial para reduzir o câncer de colo do útero, incluindo meninas e meninos, com perspectiva de eliminação no futuro.
- A senadora Dra. Eudócia enfatizou o avanço da doença e pediu ampliação de políticas públicas, além de diretrizes práticas para a população.
- O Ministério da Saúde informou que o país tem condições de prevenir, diagnosticar e evitar mortes, com o rastreio organizado do colo do útero utilizando DNA/HPV oncogênico, cuja ampliação deve ocorrer até o fim do ano.
- O Instituto Nacional de Câncer apontou que o colo do útero é o terceiro câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, com o endométrio em ascensão e o ovário em oitavo lugar.
- A vacinação com quadrivalente contra HPV é gratuita para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos; a vacina nonivalente está disponível apenas no sistema privado, e as metas da Organização Mundial de Saúde ainda não são atingidas no Brasil.
O câncer do colo do útero apresenta alta incidência e mortalidade no Brasil, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Especialistas defendem ampliar a vacinação contra HPV em meninas e boys, incluindo adolescentes, como medida para reduzir doenças futuras e avançar rumo à eliminação da doença.
Durante audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, o tema foi discutido nesta terça-feira. A sessão teve como objetivo avaliar políticas públicas relacionadas aos cânceres de ovário e do colo do útero, a convite do presidente do colegiado, senador Marcelo Castro.
A senadora Dra. Eudócia ressaltou o aumento do câncer de colo do útero e defendeu vacinação ampliada, maior atuação do Ministério da Saúde e diretrizes mais objetivas para a população.
Rastreio e diagnóstico
Guacyra Magalhães Pires Bezerra, representante do Ministério da Saúde, disse que o Brasil pode prevenir, diagnosticar e evitar mortes com medidas já em curso. Ela é diretora do Departamento de Atenção ao Câncer da pasta.
— O rastreio organizado do colo uterino utiliza DNA/HPV oncogênico e deve ser ampliado para todo o país até o fim do ano, segundo plano estratégico – afirmou Guacyra.
Cânceres ginecológicos
Roberto de Almeida Gil, diretor-geral do INCA, destacou que três cânceres são ginecológicos entre os dez mais incidentes em mulheres: colo do útero, endométrio e ovário. As etiologias e estratégias de atuação diferem entre eles.
— O colo do útero é evitável e ocupa a terceira posição em incidência. O endométrio está em expansão, já é o sexto, e o ovário, oitavo — explicou o executivo.
Vacina e cobertura
Roberto ressaltou que a vacinação contra HPV é essencial para prevenir o colo do útero. A forma quadrivalente, que cobre quatro tipos do vírus, continua com boa cobertura no SUS para jovens de 9 a 14 anos, de ambos os sexos.
— Ainda não há transferência de tecnologia para a vacina nonavalente no âmbito público, mas pode ser necessária no futuro — completou, referindo-se à proteção contra nove tipos de HPV. A nonavalente hoje é oferecida apenas na rede privada.
Metas de erradicação
Daniele Assad-Suzuki, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, estimou cerca de 17 mil novos casos anuais de colo do útero no Brasil. As metas da OMS apontam vacinação de 90% de meninas e meninos de 9 a 14 anos, mas o cenário brasileiro permanece abaixo dessas metas.
— Não alcançamos 80% de vacinação em meninas, nem 70% em meninos. A vacinação deve voltar às escolas e ampliar a conscientização sobre a prevenção de mortes pelo HPV — avalia Daniele, que ressaltou a disponibilidade da quadrivalente para a maioria dos casos.
Fase avançada e desigualdades
Agnaldo Lopes da Silva Filho, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, lembrou que muitos casos são identificados em estágio avançado. A discrepância de gênero e as estatísticas indicam necessidade de ações mais eficazes.
Marcella Salvadori, do EVA, enfatizou que o câncer de colo de útero persiste como problema de saúde pública, com fortes vínculos à vulnerabilidade social e regional. Ela também destacou a alta letalidade do ovário, muitas vezes diagnosticado tardiamente por falta de métodos de rastreamento eficaz.
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