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Poluição por microplásticos intensifica aquecimento global, aponta estudo

Microplásticos na atmosfera podem reter calor e responder por 16,2% da retenção de calor do carbono negro, com impacto maior em áreas com acúmulo de lixo

Efeitos climáticos e naturais também são capazes de favorecer o acúmulo dos resíduos plásticos (Getty Images)
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  • Estudo publicado na Nature Climate Change aponta que microplásticos, partículas menores que cinco milímetros, podem reter calor e contribuir para o aquecimento global.
  • A poluição plástica na atmosfera representaria 16,2% da retenção de calor do carbono negro, segundo os pesquisadores.
  • O efeito é mais expressivo em áreas com grande volume de plástico, como o Oceano Pacífico, onde os microplásticos tiveram desempenho 4,7 vezes maior que o carbono negro.
  • A maior mancha de lixo no Pacífico tem cerca de 1,6 milhão de quilômetros quadrados e acumula aproximadamente 80 mil toneladas de resíduos; tufões em 2023 elevaram a concentração de nanoplásticos na atmosfera.
  • A estimativa é de que cada pessoa ingira cerca de 50 mil partículas por ano; no Brasil, 69,3% das 1.024 praias analisadas estavam poluídas por microplásticos.

Os microplásticos não afetam apenas oceanos, solos e ar. Um estudo na revista Nature Climate Change aponta que essas partículas, com menos de 5 mm, ajudam a reter calor e podem intensificar o aquecimento global.

Os pesquisadores destacam que esses resíduos têm capacidade de absorver luz solar. Por serem leves, podem ser transportados pelo vento para diferentes regiões, incluindo camadas altas da atmosfera.

Hongbo Fu, coautor do trabalho e especialista em atmosferas da Universidade de Fudan, em Xangai, afirma que o problema envolve também o céu. Os modelos climáticos precisam considerar o impacto dos microplásticos.

Segundo o estudo, a poluição plástica na atmosfera representa 16,2% da retenção de calor do carbono negro, conhecido como um dos maiores responsáveis pelo aquecimento, atrás apenas do CO2.

Embora o efeito global seja pequeno, a pesquisa aponta maior influência em áreas com grande volume de plástico, como o Oceano Pacífico, onde os microplásticos teriam impacto 4,7 vezes superior ao carbono negro.

A maior parte dos plásticos, segundo os pesquisadores, é colorida e pode reter calor, diferente da ideia de que o plástico branco apenas reflete a luz solar. O Pacífico concentra a maior parcela de resíduos, formando a chamada mancha de lixo.

A região do Pacífico central é comparável ao tamanho do Texas, entre Califórnia e Havaí, com cerca de 1,6 milhão de quilômetros quadrados de resíduos marinhos. O lixo total é estimado em aproximadamente 80 mil toneladas.

Dados adicionais apontam que tufões podem favorecer a presença de nanoplásticos na atmosfera, como ocorreu em 2023, quando houve aumento de 51% na concentração desses materiais.

Em termos de exposição humana, a ONU estima que cada pessoa ingere, em média, cerca de 50 mil partículas de microplásticos anualmente. Também há relatos de detecção dos microplásticos em diversos órgãos do corpo humano.

No Brasil, pesquisas indicam acúmulo de microplásticos em praias. Levantamento recente aponta que 69,3% das 1.024 praias analisadas apresentaram poluição por esse tipo de resíduo.

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