- O grupo QuitGPT convoca o boicote ao ChatGPT, dizendo ser composto por “ativistas democratas” e que é contra a OpenAI e a IA de Elon Musk, não contra IA em geral.
- A mobilização tem crescido rápido: de 17.000 apoiadores em fevereiro para cerca de 4 milhões hoje.
- O principal motivo é a doação de US$ 25 milhões de Greg Brockman, presidente da OpenAI, para a campanha pró-Trump, a maior contribuição individual para os republicanos em 2025.
- O boicote também aponta o uso do ChatGPT pelo ICE, que emprega tecnologia da OpenAI e da Palantir.
- Em outra frente, pesquisas indicam sabotagem de IA no trabalho: 29% dos trabalhadores admitem usar IA de forma inadequada; entre a geração Z, esse índice chega a 44%; estudos sugerem queda de contratações para jovens em ocupações expostas à IA e redução de renda na faixa de 18 a 29 anos.
O movimento de boicote ao ChatGPT cresce com foco político e social. O grupo QuitGPT afirma que defende a democracia ao questionar a relação entre a OpenAI e autoridades conservadoras, especialmente após ligações com Trump. O boicote não é contra a IA de forma geral, mas contra a empresa e sua linha de atuação.
Segundo o manifesto, o objetivo é convencer norte-americanos e pessoas ao redor do mundo a abandonar o ChatGPT. O movimento ganhou força desde o início do ano, passando de 17 mil apoiadores em fevereiro para cerca de 4 milhões hoje. A doação de 25 milhões de dólares de Greg Brockman, presidente da OpenAI, para Trump é apontada como principal motivação financeira.
Orientação política e uso institucional
O ato também cita o uso da tecnologia pelo ICE, órgão de imigração dos EUA, que utiliza ferramentas da OpenAI e de Palantir. A atuação é apresentada como parte de uma estratégia para reduzir a influência da empresa nas políticas públicas. Entre os apoiadores do QuitGPT aparecem figuras públicas de destaque, como Katy Perry e Mark Ruffalo, ambos ligados ao espectro liberal.
Sabotagem no ambiente de trabalho e impactos
Paralelamente, outra frente envolve trabalhadores que sabotam a IA no local de trabalho. Um levantamento da empresa Writer, com 1.200 trabalhadores e 1.200 executivos, aponta que 29% admitiram sabotagem mediante uso inadequado de ferramentas de IA. Entre a geração Z, esse índice sobe para 44%.
Pesquisas sobre emprego e IA
Estudos indicam que, embora não haja aumento sistemático do desemprego entre trabalhadores expostos à IA desde 2022, há indicação de menor contratação de jovens em ocupações sensíveis à IA. Dados da Anthropic mostram redução na contratação de jovens em posições expostas à tecnologia, sem efeito claro sobre desemprego global.
Convergência de dados brasileiros
Pesquisa brasileira de IBGE, analisada pela FGV, aponta que jovens de 18 a 29 anos tiveram queda de 5% nas chances de contratação após a chegada da IA, com renda 7% menor nesse grupo. As funções mais afetadas são as administrativas, porta de entrada para o mercado de trabalho, onde a tecnologia é cada vez mais presente.
Contexto histórico
O estudo traça paralelos com o movimento Ludista, surgido no início da Revolução Industrial, que defendia a destruição de máquinas têxteis. Embora diferente, a pesquisa sobre sabotagem revela sinais de descontentamento que acompanham a adoção de tecnologias avançadas.
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