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OMS diz que surto de hantavírus não tem potencial pandêmico nem risco global

OMS afirma que o hantavírus no cruzeiro Hondius não gera risco pandêmico; nível global é baixo, com três mortes a bordo e monitoramento de contatos

Tedros Adhanom Ghebreyesus responde perguntas de jornalistas da AFP, na sede da OMS, em Genebra
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  • A OMS disse que o surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius tem risco global baixo e não há necessidade de convocar um comitê de emergência.
  • O navio está ancorado em Cabo Verde; três pessoas morreram e oito passageiros são casos suspeitos, segundo a OMS.
  • A organização passa a coordenar ações com autoridades de diferentes países para monitorar contatos e evitar a disseminação.
  • Especialistas indicam que a cepa Andes pode ter transmissão entre humanos em situações específicas; origem provável fora do navio, em atividades na Argentina.
  • O hantavírus é transmitido principalmente por roedores; não há vacina eficaz nas Américas; no Brasil, foram registrados dois mil trezentos setenta e sete casos entre 1993 e 2024, com quinhentos e quarenta mortes.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que não vê relação entre o atual surto de hantavírus e a pandemia de Covid, mantendo o risco global baixo. A declaração ocorreu enquanto o surto envolve o cruzeiro MV Hondius, ancorado em Cabo Verde desde domingo.

Três pessoas a bordo morreram e oito passageiros são considerados casos suspeitos, segundo a OMS. A organização passou a coordenar ações com autoridades de diversos países para monitorar contatos e evitar disseminação, sem, no momento, prever a convocação de um comitê de emergência.

A OMS aponta que o hantavírus é transmitido principalmente por roedores e raramente se espalha entre humanos. A exceção é a cepa Andes, ligada a casos no navio, que pode exigir condições muito específicas para transmitir entre pessoas. A hipótese inicial envolve um casal holandês infectado ao observar aves na Argentina.

É provável que os primeiros infectados tenham contraído o vírus fora do navio, com a transmissão entre ocupantes em compartimentos próximos. Uma autoridade argentina questiona a chances de a origem ser Ushuaia, de onde o navio partiu em 1º de abril, considerando improvável essa origem.

O que é o hantavírus

O hantavírus pertence ao gênero Orthohantavirus, responsável pela hantavirose, que pode evoluir para insuficiência respiratória. Existem mais de 40 tipos no mundo; nas Américas, predomina a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, com alta mortalidade em alguns casos.

Como o vírus é transmitido

A principal via é o contato com roedores silvestres, por meio de urina, fezes ou saliva. A inalação de aerossóis contaminados é comum. Ratos urbanos aparecem mais associados a outras doenças, como leptospirose.

Hantavírus no Brasil

Entre 1993 e 2024, foram registrados 2.377 casos e 540 mortes, segundo o Ministério da Saúde. A maioria ocorre em áreas rurais, com cerca de 70% dos casos. Em 2025, houve 28 notificações; nos primeiros quatro meses de 2026, já são seis casos.

Sintomas iniciais

A fase inicial dura de 3 a 5 dias, parecendo gripe. São febre, dor de cabeça, dores no corpo, náusea e diarreia. Diagnóstico precoce é difícil pela semelhança com outras doenças.

Quando fica grave

A fase cardiopulmonar pode surgir de 4 a 24 horas após tosse e dificuldade respiratória. Observam-se respiração acelerada, queda da pressão, edema pulmonar e taquicardia. Em alguns casos, manchas na pele e sangue na urina aparecem; internação em UTI pode ocorrer. Não há tratamento específico.

Prevenção

Não há vacina eficaz nas Américas. Medidas incluem evitar roedores e suas excretas, vedar entradas, guardar alimentos, manter ambientes limpos, usar armadilhas convencionais e higienizar mãos e superfícies.

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