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Pesquisa revela mecanismo de controle da irrigação cerebral

Estudo aponta que neurônios do coração com PIEZO2 regulam o fluxo sanguíneo cerebral ao ficar em pé, ajudando a entender a síncope vasovagal

Uma em cada duas pessoas apresentará pelo menos um episódio de perda de consciência ao longo da vida - (crédito: Freepik )
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  • Metade das pessoas pode ter pelo menos um episódio de desmaio ao longo da vida, explicado principalmente pela síncope vasovagal.
  • Um estudo de Harvard, publicado na Nature, indica que neurônios no coração ajudam a manter a pressão do fluxo sanguíneo cerebral quando estamos em pé.
  • A proteína PIEZO2, presente nas membranas cardíacas, transforma a pressão em sinais elétricos nesses neurônios para ajustar o ritmo cardíaco na posição ortostática.
  • Em camundongos, bloquear a PIEZO2 impede o ajuste automático do ritmo ao ficar em pé; em situações de hemorragia, esses neurônios são os primeiros a indicar a necessidade de compensação de pressão.
  • A pesquisa sugere que o controle do fluxo cerebral depende mais do volume de sangue passando pelo coração do que apenas dos receptores de pressão na aorta e nas carótidas.

O mecanismo que regula o fluxo sanguíneo que irriga o cérebro ganhou nova evidência com pesquisa da Universidade de Harvard, publicada na Nature. O estudo identifica como neurônios no coração participam da manutenção da pressão de fluxo cerebral quando a pessoa fica em pé. A descoberta envolve a proteína PIEZO2, que transforma a pressão nas membranas do coração em sinais elétricos nesses neurônios.

Segundo os pesquisadores, camundongos em posição ortostática ajustam o ritmo cardíaco para manter o fluxo sanguíneo cerebral. Ao bloquear a PIEZO2, esse ajuste não ocorre, sugerindo que o controle fino do fluxo depende mais do volume de sangue que passa pelo coração do que de receptores tradicionais na aorta e nas carótidas.

A equipe também observa que, ao provocar hemorragia nesses animais, os neurônios com PIEZO2 são os primeiros a sinalizar a necessidade de compensação da pressão do fluxo sanguíneo. A conclusão aponta que a fisiologia da síncope envolve um mecanismo de adaptação mais direto ao coração do que se supunha anteriormente.

A pesquisa reforça a ideia de que humanos possuem neurônios PIEZO2, abrindo caminho para novas linhas de estudo sobre desmaios e prejuízos na circulação cerebral. A leitura é que o controle do fluxo cerebral pode depender de sinais oriundos do coração, não apenas de sensores na grande circulação.

Ricardo Afonso Teixeira, doutor em neurologia pela Unicamp e neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília, comenta que o achado pode influenciar entendimentos sobre síncope vasovagal e seus desdobramentos clínicos. Ainda não há aplicações diretas, mas o estudo oferece uma base para futuras pesquisas.

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