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Por que lixo espacial cai mais rápido em direção à Terra, segundo estudos

Estudo mostra que maior atividade solar aumenta arrasto na termosfera, acelerando a queda de detritos em órbita baixa e impactando missões futuras

Mapa de detritos da Nasa. Os gráficos a seguir são imagens geradas por computador de objetos em órbita da Terra que estão sendo rastreados atualmente. Aproximadamente 95% dos objetos nesta ilustração são detritos orbitais, ou seja, satélites não funcionais. Os pontos representam a localização atual de cada item. Os pontos de detritos orbitais são dimensionados de acordo com o tamanho da imagem para otimizar sua visibilidade e não estão em escala com a Terra
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  • Um estudo que analisou 17 detritos espaciais ao longo de 36 anos mostra que, conforme a atividade solar aumenta, a termosfera fica mais densa e o arrasto aumenta, acelerando a queda na órbita baixa.
  • O trabalho identifica um limiar de transição: quando a atividade solar passa de cerca de dois terços do seu pico, a taxa de descida dos detritos aumenta significativamente.
  • O fenômeno explica por que fragmentos, incluindo alguns de foguetes lançados na década de sessenta, perdem altitude mais rapidamente em períodos de maior atividade solar.
  • O arrasto atmosférico afeta satélites em órbita baixa, influenciando manobras, consumo de combustível e planejamento de janelas de lançamento para evitar colisões com detritos.
  • A pesquisa sugere que o padrão observado ao longo de ciclos solares pode servir como ferramenta preditiva para futuras missões espaciais e gerenciamento de tráfego orbital.

O lixo espacial está entrando na atmosfera terrestre mais rapidamente quando a atividade solar aumenta. Um estudo com 17 detritos analisados ao longo de 36 anos mostra que, com ciclos solares mais fortes, a densidade da termosfera cresce e o arrasto atmosférico aumenta.

A pesquisa, publicada na revista Frontiers in Astronomy and Space Sciences na terça-feira (5), aponta um limiar de transição: quando a atividade solar supera cerca de dois terços do pico, a queda dos detritos acelera significativamente. O estudo considera diferentes ciclos solares.

A equipe liderada por Ayisha M. Ashruf analisou trajetórias de objetos de lixo orbital baixo, entre aproximadamente 160 e 2.000 km de altitude. O aumento de emissão de radiação ultravioleta extrema e partículas carregadas aquecem e expandem a termosfera, elevando sua densidade.

Essa expansão intensifica a resistência que os detritos enfrentam em órbita baixa, reduzindo a velocidade orbital e acelerando a reentrada. Fragmentos de foguetes lançados na década de 1960 já exibiram quedas mais acentuadas durante períodos de maior atividade solar.

Segundo os pesquisadores, o resultado ajuda a entender por que o arrasto não é constante ao longo de ciclos solares e oferece base para previsões mais precisas. A possibilidade de prever quando o arrasto ficará mais intenso pode otimizar manobras e planejamento de missões.

A órbita baixa da Terra tornou-se área estratégica e congestionada, com satélites de observação, vigilância e grandes constelações de internet. O estudo sugere que conhecer o padrão do arrasto facilita a organização de janelas ideais de lançamento e a gestão de riscos de colisões.

Os resultados também reforçam a importância de monitorar detritos históricos. Objetos lançados há mais de meio século continuam fornecendo dados sobre as mudanças na atmosfera superior e ajudam a orientar políticas de sustentabilidade espacial.

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