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Perrier-Jouët avança com iniciativa regenerativa

Perrier-Jouët avança com viticultura regenerativa, com metade das vinhas sob o regime e meta de chegar a cem por cento até 2030, para enfrentar mudanças climáticas

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  • Perrier-Jouët aposta na viticultura regenerativa para tornar vinhedos mais resilientes às mudanças climáticas, usando dados, biodiversidade e saúde do solo.
  • A casa possui sessenta e seis hectares de vinha, com 33 hectares (50%) já em viticultura regenerativa e a meta de chegar a cem por cento até 2030; programa começou em 2021.
  • Iniciativas incluem coberturas de plantas, vitiforestry e corredores verdes, além da retirada de herbicidas em 2020 e uso de um robô elétrico chamado Bakus para capinação sob as vinhas.
  • Resultados preliminares apontam melhoria na estrutura do solo, menor compactação e aumento de minhocas e insetos benéficos; dados e monitoramento são essenciais para ampliar a credibilidade.
  • Além das vinhas, há ações de biodiversidade, como instalação de um espaço de 285 metros quadrados dedicado à vida selvagem, e plantio de 1.200 árvores em 2023; degustações mostram que diferentes coberturas influenciam o perfil de sabor.

A Perrier-Jouët aposta em viticultura regenerativa para fortalecer seus vinhedos diante das pressões climáticas. Em visita à casa de Champagne, a equipe avaliou como dados, biodiversidade e saúde do solo moldam a estratégia de longo prazo. A reportagem acompanha a transformação que envolve toda a propriedade.

A Maison administra 66 hectares de vinhedos, sendo metade já sob práticas regenerativas. A meta é chegar a 100% até 2030. O programa experimental começou em 2021, após estudos apontarem solo compacto e empobrecido.

A região já registra impactos: a produção de Champagne apresentou queda de cerca de 25% nos últimos 15 anos, segundo a direção da sustentabilidade. A ideia é tornar o manejo agrícola mais resistente ao clima.

Reconstrução a partir do solo

A estratégia começa sob o solo. A Perrier-Jouët adotou coberturas vegetais, vitiforestry e corredores verdes para restaurar a estrutura, ampliar a biodiversidade e reduzir o estresse das videiras. A transição envolveu ajustes na prática de manejo.

Em 2020, a casa aboliu herbicidas e substituiu por preparo mecânico do solo e cobertura vegetal. Um robô elétrico, apelidado Bakus, realiza o desbaste sob as videiras para manter o cultivo sem herbicidas e com menor compactação.

A fertilidade biológica é central. Coberturas de plantas renovam a vida underground, com leguminosas capturando nitrogênio para devolver ao solo. Resultados preliminares apontam melhoria da estrutura, menor compactação e aumento de minhocas e insetos benéficos.

Dados para convencer

A adesão local não foi universal. Algumas famílias de produtores resistiram, tornando essencial a coleta e o monitoramento de dados para comprovar a eficácia. Observação de biodiversidade e rastreamento de minhocas são partes da medição.

Para facilitar o acesso, a casa integrou códigos QR nos vinhedos, permitindo que vizinhos, produtores e visitantes consultem informações sobre o impacto das práticas regenerativas. A parceria com especialistas reforça a fundamentação científica.

A iniciativa conta com apoio externo de instituições como Biosphères e centros de agroecologia, além da expertise do grupo Pernod Ricard. A colaboração busca orientar decisões e ampliar a adoção entre produtores da região.

Biodiversidade por design

Um ponto visitado durante a ronda mostra uma instalação de arte que funciona como ilha de biodiversidade em um antigo estacionamento. A intervenção, ligada ao projeto Cohabitare, hospeda insetos e pequenas espécies, integrando design e ecologia no vinhedo.

Na área, a casa também investe na vitiforestry. Em 2023 foram plantadas 1.200 árvores e arbustos em Cramant, criando cercas vivas, ilhas e bosque que favorecem a conectividade ecológica.

Impacto na bebida

Ao fim do dia, a atenção voltou-se à degustação de rótulos produzidos a partir de parcelas regenerativas. A enóloga-chefe Séverine Frerson mostrou que solos com coberturas distintas influenciam o perfil aromático, mantendo a assinatura de elegância da casa.

Caso com parcelas com cobertura vegetal de biomassa, os vinhos apresentaram tensão e frescor. Já as coberturas florais agregaram complexidade e finesse ao sabor. As bebidas são vinificadas separadamente para avaliação detalhada.

O projeto é visto pela Perrier-Jouët como uma jornada de longo prazo. Em meio à volatilidade climática, a casa sustenta que resiliência virá de ecossistemas agrícolas reerguidos desde o solo. Fonte: db.

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