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Alternativas a produtos à base de petróleo ganham espaço em fertilizantes e moda

Alternativas aos petroquímicos avançam, mas custos, logística e produção limitam a substituição de fertilizantes, plásticos e fibras

About half the world’s food production relies on synthetic nitrogen fertiliser, which is made using ammonia – a chemical derived from gas. Pictured: grape vines being sprayed in Margaret River, Western Australia.
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  • Petroquímicos respondem por cerca de 90% das matérias-primas, presentes em itens do dia a dia como higiene, embalagens, eletrônicos, roupas, móveis e mais; representam 14% da demanda de petróleo e 8% do gás fóssil.
  • A produção de fertilizantes sintéticos hoje depende do gás via processo de Haber-Bosch; há caminho para amônia verde, produzida com hidrogênio obtido a partir de energia renovável, reduzir dependência do gás e emissões.
  • Amônia verde pode entrar no circuito de fertilizantes e, em alguns casos, de explosivos; até 30% do feedstock atual de amônia pode ser substituído por hidrogênio verde sem grandes alterações de plantas.
  • Plásticos e bioplásticos: mais de noventa por cento do plástico da Austrália é importado; apenas cerca de 14% é reciclado; bioplásticos à base de materiais renováveis (como PHAs) são promissores, com produção global ainda pequena frente aos petroquímicos.
  • Substituição de fibras sintéticas por naturais (algodão, lã, linho, seda, cânhamo) é tecnicamente possível, mas mais cara e em menor escala; a transição exige mudanças sistêmicas, consumo consciente e incentivo a durabilidade, reparo e reciclagem.

O domínio dos combustíveis fósseis se revela em cada aspecto da vida moderna, desde fertilizantes até roupas e embalagens. A crise no estreito de Hormuz mostrou como a economia mundial depende do petróleo e do gás. Qual é o caminho para reduzir essa dependência?

Especialistas destacam que substitui-los é desafiador, mas não impossível. Cerca de 90% das matérias-primas químicas vêm de petróleo ou gás, segundo a Agência Internacional de Energia. Esses petroquímicos aparecem em itens comuns como escovas de dentes, sacolas, embalagens e roupas.

No entanto, mesmo com liquidez tecnológica, a transição demanda políticas, inovação e mudanças de consumo. Hoje, fertilizantes, plásticos e têxteis respondem por cerca de 70% da demanda total de petroquímicos, reforçando a prioridade de soluções alternativas.

Substituição de fertilizantes e fertilização

Metade da produção global de alimento usa fertilizante nitrogenado, produzido via processo Haber-Bosch. Uma alternativa em estudo é o amônio produzido com hidrogênio verde, obtido pela eletrólise da água com energia renovável, reduzindo emissões.

No Brasil e na Austrália, pesquisas estimulam o uso mais eficiente de fertilizantes, rotação de culturas e fertilizantes orgânicos. A ideia é cortar desperdícios, que atingem grande parte das aplicações na lavoura, e reduzir a dependência de insumos importados.

Substitutos dos plásticos

Mais de 90% do plástico consumido na Austrália é importado, com apenas cerca de 14% reciclado. Bioplásticos, feitos a partir de materiais renováveis, aparecem como alternativa promissora, especialmente os PHAs, que são biodegradáveis e produzidos por bactérias.

O país tem potencial para ampliar a fabricação de bioplásticos, apoiado por universidades e startups que utilizam resíduos agrícolas, cana-de-açúcar e algas. Ainda assim, o custo mais alto é um obstáculo a uma substituição ampla.

Desafios na indústria têxtil

As fibras sintéticas respondem por cerca de 73% da produção têxtil global, oferecendo custo menor e menor dependência de condições ambientais. Porém, elas envolvem uso de petroquímicos em corantes e acabamentos, além de aplicações em materiais de alto valor agregado.

Alternativas naturais, como algodão, lã e linho, são mais caras e produzem menos, mas a Austrália tem vantagem por ser grande produtora de algodão e de merino. A substituição em larga escala exige mudanças sistêmicas de produção, consumo e preço.

Considerações finais

Especialistas apontam que não é possível simplesmente substituir tudo de uma vez. A transição requer inovação em processos, cadeia de suprimentos e escolhas de consumo conscientes. Equipes de pesquisa sugerem que a redução da dependência pode avançar por etapas, com investimentos em tecnologia e políticas públicas.

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