- A Sociedade Brasileira de Pediatria publicou, em 5 de maio, alerta de que whey protein e creatina não devem ser usados rotineiramente por crianças e adolescentes saudáveis.
- O endocrinologista pediátrico Miguel Liberato afirma que dúvidas sobre suplementação aparecem com frequência, incluindo substituição de refeições e uso por quem pratica esportes algumas vezes por semana.
- A SBP reforça que não há indicação para uso rotineiro dessas substâncias nessa faixa etária.
- Profissional aponta que a necessidade média de proteína em crianças e adolescentes é de cerca de 0,85 a 0,95 g/kg/dia, alcançada com alimentação equilibrada; suplementos não são necessários.
- Há riscos metabólicos e impactos comportamentais, com embalagens coloridas e cultura da hipertrofia; uso inadequado pode sobrecarregar rins e fígado e reforçar a ideia de que desempenho depende de produtos industrializados.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta, publicado no dia 5 de maio, sobre o uso de whey protein e creatina por crianças e adolescentes. A mensagem é direcionada a jovens saudáveis e aos responsáveis, diante da popularização dos suplementos nas redes sociais e do aumento de dúvidas em consultórios.
O endocrinologista pediátrico Miguel Liberato, referência em crescimento infantil em São Paulo, comenta que as perguntas sobre suplementação têm aumentado. Segundo ele, muitos pais questionam se bebidas com whey protein podem substituir refeições ou se a creatina seria indicada para jovens que praticam esportes.
A SBP reforça na nota que não há indicação para uso rotineiro de whey protein e creatina em jovens saudáveis. O médico destaca a importância de combater a ideia de que proteína extra é necessária para o crescimento ou para ganho de massa muscular.
Liberato explica que a necessidade diária de proteína nessa faixa etária costuma ser menor do que se imagina. Em média, crianças e adolescentes saudáveis precisam de 0,85 a 0,95 g/kg/dia, alcançável com alimentação equilibrada.
O especialista aponta ainda que a forma de apresentação dos suplementos pode influenciar a percepção de que são parte da alimentação diária. Embalagens coloridas, sabores doces e formatos variados podem transmitir segurança errada.
Outra preocupação envolve potenciais impactos metabólicos do uso sem indicação clínica, que podem sobrecarregar rins, fígado e outros sistemas ao longo do tempo, especialmente se consumidos de forma contínua.
Além dos aspectos físicos, Liberato ressalta impactos comportamentais relacionados à imagem corporal e à relação com a alimentação, ao expor crianças e adolescentes à cultura da hipertrofia desde cedo.
Apesar do alerta, o endocrinologista admite que a suplementação não é proibida em todos os casos. Existem situações específicas em que o uso pode ser necessário, desde que avaliado e acompanhado por profissionais capacitados.
O foco, segundo ele, continua sendo alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, sono de qualidade e a formação de hábitos saudáveis desde a infância.
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