- A administração Trump afirmou que centenas de amostras de fórmula infantil testadas “atendem um alto padrão de segurança”, após ampliar os testes.
- Especialistas independentes dizem que a maioria das amostras estava contaminada com PFAS (pesticidas químicos) ou ftalatos, e apontam lacunas nos dados.
- Os resultados também indicaram traços de chumbo em algumas amostras e a presença de chlorpifos (pesticida) em parte das amostras.
- As críticas ressaltam contradições entre declarações da FDA e um estudo de 2014 sobre riscos potenciais para recém-nascidos, mesmo com exposições pequenas.
- Faltam informações como nomes dos produtos, se houve múltiplos contaminantes e qual seria o nível de ação recomendado; há apelo por maior transparência contínua.
O governo dos EUA divulgou nesta semana resultados de testes realizados em formula de bebê, afirmando que centenas de amostras “atendem a um alto padrão de segurança”. A declaração foi feita pela administração de Donald Trump, por meio do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), e envolve a Análise de 300 amostras.
A divulgação ocorreu após a implementação da Operação Stork Speed pela FDA, que incluiu testes para PFAS, ftalatos, chumbo, pesticidas e outros contaminantes. A iniciativa visava ampliar a vigilância e tornar os resultados públicos.
Segundo o HHS, foram avaliadas formulas infantis para identificar exposições que poderiam afetar recém-nascidos. O anúncio não detalha os próximos passos nem fornece nomes de produtos. Kennedy Jr., secretário, ressaltou que âmbitos de segurança foram superados com transparência.
Resultados e controvérsias
Especialistas independentes revisaram os dados e destacaram lacunas, além de apontar que a maioria das amostras continha substâncias perigosas, como PFAS e ftalatos. Ainda assim, destacaram aspectos positivos, como avanços na ampliação da triagem.
Pesquisadores destacaram que boa parte das detecções envolveu PFOS, um PFAS considerado de alto risco, e que os resultados variam conforme o tipo de fórmula, especialmente as formulações em pó. Também foi observado contágio potencial vindo de água usada no preparo.
Autoridades não detalharam se houve amostra com múltiplos contaminantes nem se houve classificação por fabricante. A ausência de nomes de produtos dificulta a identificação de fórmulas sem contaminação para consumidores.
Quase metade das amostras continha algum tipo de ftalato, utilizado como plastificante, com relação a embalagens e equipamentos de processamento. Especialistas ressaltam que não há nível de exposição considerado seguro para substâncias endócrino-disruptoras.
Caminhos futuros
Especialistas pedem maior transparência contínua na divulgação de resultados e a definição de limites de segurança, incluindo para chumbo e PFAS. A FDA indicou intenção de prosseguir com o monitoramento e ampliar o conjunto de moléculas analisadas.
Executivos da FDA defenderam a importância da ação regulatória, inclusive com monitoramento de níveis de contaminação. Críticos afirmam que o relatório atual ainda não oferece garantia de segurança permanente para todas as fórmulas.
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