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Hantavírus não se espalha facilmente; aquecimento global aumenta exposição

Hantavirose volta ao centro das atenções 30 anos após a Patagônia registrar transmissão entre humanos; investigação aponta possível contágio pré-embarque no MV Hondius

Health officials are investigating whether passengers aboard MV Hondius caught the virus before they boarded in Argentina.
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  • Um surto na Patagônia, na Argentina, há 30 anos, documentou pela primeira vez transmissão pessoa a pessoa de hantavírus, antes conhecido pela transmissão por roedores.
  • Cerca de uma década atrás houve outro surto na mesma região com evidência de transmissão entre humanos, causando 11 mortes.
  • Três passageiros morreram a bordo do cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde; não há confirmação final de onde ocorreu a infecção.
  • Testes em sobreviventes do navio indicaram infecção pela cepa Andes, a única associada à transmissão entre pessoas; a investigação considera a possibilidade de contágio antes do embarque.
  • Na Argentina, de julho do ano passado até hoje são 101 casos e 32 mortes; autoridades ligam o aumento a mudanças climáticas que afetam roedores, mantendo a média histórica anual em torno de cem casos.

O hantavírus volta a ganhar destaque internacional após a morte de três passageiros a bordo do navio MV Hondius, que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. A investigação aponta possível transmissão anterior ao embarque, mas ainda não há confirmação definitiva.

Casos históricos na Patagônia demonstraram pela primeira vez a transmissão de pessoa para pessoa, algo até então conhecido apenas pela relação com roedores. Um surto recente na região mantém o vírus sob escrutínio científico.

Entre julho do ano passado e junho deste, a Argentina registrou 101 casos de hantavírus e 32 mortes. Em temporadas anteriores, os totais foram menores, como 64 casos e 14 mortes em 2024-25.

Contexto científico

Especialistas argentinos ressaltam que o aumento pode estar relacionado a mudanças climáticas que alteram o comportamento de roedores. Uma seca seguida de chuvas intensas gerou maior cobertura vegetal e alimento para as pragas, elevando o risco de contaminação.

Segundo um pesquisador, a Argentina enfrenta a maior soma de casos na América do Sul, principalmente pela clima instável e desequilíbrios ecológicos. A transmissão entre humanos continua considerada incomum pelo Observatório de Saúde.

O Ministério da Saúde argentino planeja capturar roedores ao longo da rota inicial dos infectados para entender o ponto de contágio. Os viajantes que apresentaram sintomas embarcaram em Ushuaia no final de novembro.

Perspectivas e contexto global

A Organização Mundial da Saúde mantém o alerta de que o risco para a população em geral é baixo e que a transmissão entre pessoas não ocorre facilmente. Ainda assim, a análise busca esclarecer como ocorreu o possível contágio.

Especialistas lembram que o hantavírus tem variações regionais de gravidade. Na América, a taxa de mortalidade pode chegar a 50%, contrastando com sinais mais baixos em outras regiões do mundo.

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