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El Niño não é motivo de pânico; mudança climática preocupa, diz líder da WWA

WWA alerta que, mesmo sem El Niño no auge, a mudança climática já eleva calor extremo e incêndios; 2026 pode ser o ano mais quente já monitorado

Chuvas históricas atingiram a cidade de Juiz de fora (MG) em fevereiro de 2026.
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  • Pesquisadores do World Weather Attribution realizaram um encontro on-line para discutir as perspectivas climáticas de 2026, já marcadas por recordes de temperaturas e de volume de chuvas, incluindo Juiz de Fora (Minas Gerais) em fevereiro.
  • A líder do WWA, Frederike Otto, afirmou que não é o El Niño que deve assustar, e sim a mudança climática, com evidências de aquecimento global influenciando eventos extremos.
  • O grupo aponta possibilidade de El Niño ocorrer no segundo semestre, o que poderia tornar 2026 o ano mais quente já monitorado por agências climáticas.
  • Sinais científicos, como temperatura do mar, extensão de gelo e incêndios, indicam uma evolução negativa da crise climática para o ano, com incêndios florestais intensos em várias regiões.
  • A chanceler mexicana Patricia Espinosa destacou a urgência de políticas públicas e iniciativas privadas mais sustentáveis, associando sustentabilidade à lucratividade, diante de cenários de risco para populações expostas ao calor.

Pesquisadores do World Weather Attribution (WWA) reuniram-se nesta segunda-feira, 11, em evento online para debater o clima de 2026. O grupo aponta que o ano já apresenta recordes de calor e de volume de chuva, com Juiz de Fora (MG) entre os locais atingidos neste fevereiro.

A líder do WWA, a climatologista Frederike Otto, afirmou que não é o El Niño que deve preocupar, e sim a mudança climática. A fala sustenta a visão do grupo de que o aquecimento global amplifica eventos extremos, mesmo sem a influência direta do fenômeno.

O encontro destacou o mês de março, registrado como a onda de calor geograficamente mais ampla já observada nos EUA. O WWA vincula esse episódio ao aquecimento global, destacando que tais padrões não seriam possíveis sem as alterações climáticas.

Com a previsão de El Niño para o segundo semestre, a equipe avalia o potencial de 2026 tornar-se o ano mais quente já monitorado por agências climáticas. Sinais como temperatura do mar, extensão de gelo polar e incêndios intensos são citados para sustentar esse cenário.

Ainda sem o El Niño completo, o grupo aponta ajustes na ação pública e no papel do setor privado como prioritários. A chanceler mexicana Patricia Espinosa reforçou a necessidade de alinhar sustentabilidade e lucratividade para incentivar negócios verdes.

Entre os números de alerta, o coletivo aponta que, nos primeiros meses de 2026, mais de 150 milhões de hectares foram queimados globalmente. A área queimada supera o recorde anterior desde 2012, mesmo com a temporada de incêndios ainda não ter começado em várias regiões.

A discussão também aborda o papel do El Niño, cuja intensificação costuma ocorrer no verão do Hemisfério Sul. Os especialistas esperam maior dinamismo no início de 2027, conforme o comportamento histórico do fenômeno.

Outros especialistas enfatizam a necessidade de acelerar transições energéticas e políticas públicas de proteção a populações expostas ao calor. A médica Jemilah Mahmood ressalta que discursos políticos devem acompanhar os impactos crescentes da crise climática.

A reunião evidencia que 2026 pode trazer dados ainda mais negativos para a crise climática global, com a convergência de aquecimento persistente e eventos extremos. O WWA reforça a urgência de ações rápidas e bem fundamentadas.

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