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Materiais de baixo custo podem acelerar transmissão de dados ópticos

Iodeto de chumbo barato permite confinar luz terahertz em escala nanométrica, abrindo caminho para circuitos fotônicos mais rápidos e eficientes

Cristal simples permite controlar luz em escala minúscula e pode abrir caminho para dispositivos mais rápidos e eficientes
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  • Estudo, publicado na Nature Communications, mostra que o iodeto de chumbo (PbI₂) pode confinar luz terahertz em volumes submicrométricos, usando fônon-poláritons, abrindo caminho para guias de onda, divisores de feixe e moduladores.
  • Técnica de microscopia de varredura óptica de campo próximo do tipo espalhamento (s-SNOM) permite gerar hotspot de campo elétrico em dezenas de nanômetros, com densidade até 10⁵ vezes maior que em ondas livres.
  • PbI₂ apresenta alto fator de qualidade para fônon-poláritons, desempenho comparável ao material de referência na faixa do infravermelho, o nitreto de boro hexagonal, mas este último é difícil de sintetizar e não atende à terahertz.
  • O iodeto de chumbo é barato e simples de fabricar, sugerindo um substituto sustentável para circuitos fotônicos integrados, com potencial de aumentar velocidade e reduzir perdas.
  • O trabalho prevê uma nova infraestrutura no CNPEM, linha dedicada ao terahertz, com apoio da Fapesp, além de contribuir para entender mecanismos de degradação de perovskitas, já que PbI₂ é precursor comum nesse grupo de materiais.

O estudo mostra que um cristal simples de iodeto de chumbo pode servir como guia de onda para luz na faixa de terahertz, permitindo confinamento em nanoescala. A pesquisa, publicada na Nature Communications, foi conduzida por pesquisadores do CNPEM, em parceria com a Université de Lille, na França, e outras instituições.

A equipe investigou como esse material barato, produzido em camadas de alta qualidade, pode sustentar modos de oscilação da luz de forma estável. O objetivo é desenvolver componentes como ressonadores, divisores de feixe e moduladores para circuitos fotônicos integrados, com potencial para acelerar a transmissão de dados.

Ao explorar o confinamento extremo, os cientistas conseguiram reduzir o tamanho da região onde a luz atua, ultrapassando o limite de difração. A técnica de s-SNOM, que usa pontas nanométricas, permitiu concentrar energia em hotspots de dezenas de nanômetros, com densidade de campo muito superior à das ondas livres.

O diferencial está na formação de fônon-poláritons, quase-partículas que combinam vibrações da rede cristalina com a luz. Esse híbrido confere propriedades únicas de propagação, tornando possível manipular a luz em escalas submicrométricas.

Implicações técnicas e comparação com materiais concorrentes

Os resultados indicam que o PbI₂ desempenha alto fator de qualidade para os fônon-poláritons, mantendo a oscilação por tempo relevante. Em comparação com o hBN, o PbI₂ apresentou desempenho similar, mesmo em condições mais simples de produção.

Ao contrário do nitreto de boro hexagonal, que exige condições extremas para sintetizar, o iodeto de chumbo é produzido a partir de iodo e chumbo abundantes na natureza, com processos simples de cristalização por resfriamento de soluções supersaturadas.

Essa simplicidade de produção, associada ao custo reduzido, abre caminho para circuitos fotônicos internos em chips, ampliando a largura de banda e reduzindo perdas energéticas. A perspectiva é integrar componentes ópticos que substituam ou complementem os circuitos eletrônicos.

Desdobramentos e próximos passos

O estudo reforça o interesse em explorar perovskitas, já utilizadas em células solares e dispositivos optoeletrônicos, como vias complementares para a transmissão de dados. O PbI₂ também ajuda a compreender mecanismos de degradação de perovskitas.

No CNPEM, está prevista a implementação de infraestrutura dedicada. Uma nova linha de pesquisa em terahertz, a ser instalada na estação Imbuia, deve permitir o estudo de materiais semelhantes ao iodeto de chumbo e ampliar o alcance experimental da área.

Os pesquisadores ressaltam que, mesmo em estágio fundamental, os resultados indicam um caminho promissor para que circuitos baseados em luz permeiem dispositivos do cotidiano, com maior velocidade e menor consumo energético. O estudo foi apoiado pela FAPESP.

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