- O rato-cantor da Costa Rica canta em dueto, fornecendo pistas sobre como a fala humana evoluiu.
- Pesquisadores do Cold Spring Harbor Laboratory compararam seu cérebro com o de ratos comuns e não encontraram novas estruturas, apenas redistribuição de células.
- O cérebro do rato-cantor triplicou o número de conexões entre o centro motor e as áreas de produção de som e audição.
- A técnica MAPseq mapeou mais de 76 mil células, revelando linhas dedicadas que levam sinais diretos do córtex motor ao centro auditivo.
- O estudo, publicado na revista Nature, sugere que a evolução da fala pode ter ocorrido pela reorganização de conexões já existentes, com implicações para entender distúrbios de processamento de fala.
Nas florestas tropicais da América Central vive o rato-cantor da Costa Rica, um roedor cujo canto masculino é alto e rítmico. Machos dialogam entre si, alternando vozes em um verdadeiro diálogo. A pesquisa liga esse canto à evolução do cérebro e da fala humana.
Neurocientistas do Cold Spring Harbor Laboratory estudaram o cérebro do rato-cantor para entender se a complexidade vocal exigiu novas estruturas. A descoberta mostra que não houve criação de partes inéditas no cérebro, mas redistribuição de células.
O plano básico de conexões permanece igual ao de um rato comum. A diferença está na área de integração entre o centro motor, som e audição, com triplicação de ligações entre essas regiões.
A equipe usou MAPseq, uma técnica que mapeia neurônios como se fosse um GPS genético. Foram analisadas mais de 76 mil células, revelando linhas dedicadas entre motor e audição para comunicação rápida e precisa.
Paralelamente, o estudo aponta que o cérebro avisa o ouvido durante o canto, reduzindo a sensibilidade ao ruído imediato. Essa coordenação evita autossurdez e favorece o processamento da resposta do parceiro.
As conclusões foram publicadas na revista Nature, fortalecendo a ideia de que pequenas mudanças no redes neurais podem gerar comportamentos complexos. O enfoque é entender a evolução da linguagem humana.
Agora, pesquisadores planejam mapear outros mamíferos e comparar com primatas. O objetivo é verificar se esse mecanismo é comum na evolução e pensar em aplicações para traumas auditivos e distúrbios de fala.
A pesquisa reforça que a linguagem pode ter origem na reorganização de fios preexistentes. O próximo passo é aplicar o método para entender tratamentos que melhorem a comunicação em humanos.
Fonte: estudo publicado pela Nature descreve como a RNA sequencing revelou a arquitetura da comunicação nesses roedores. A investigação destaca o papel das redes neurais na evolução da fala.
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