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Pagando para ver vida selvagem: experimento de conservação em Borneo paga US$1/ha

Conservação em Borneo paga moradores por hectare para registrar vida silvestre, gerando dados valiosos e mudanças de comportamento em comunidades locais

Photograph of a Bornean orangutan (*Pongo pygmaeus*) submitted by a KehatiKu citizen observer. Participants can earn 100,000 rupiah (nearly $6) for finding and photographing orangutans. Image courtesy of Borneo Futures.
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  • Em Kapuas Hulu, na província de Kalimantan Ocidental, Indonésia, o projeto KehatiKu testa pagar moradores para registrar avistamentos de vida silvestre via aplicativo.
  • Pagamentos variam por espécie, com valores baixos para aves comuns e valores maiores para animais raros, como orangotangos; observações são verificadas antes do pagamento mensal.
  • Mais de 800 observadores em nove vilarejos já registraram cerca de 300 a 400 avistamentos por dia, gerando um conjunto de dados sobre diversas espécies.
  • O custo do programa fica abaixo de um dólar por hectare por ano, em uma área de cerca de 200 mil hectares (somando quase 500 mil acres).
  • Além dos dados, o método tem levado moradores a desencorajar caça e armadilhas, com algumas pessoas dependendo da renda gerada pela atividade como fonte principal de ganho.

O experimentos KehatiKu, em Kapuas Hulu, oeste de Kalimantan, Indonésia, testa se a conservação funciona com incentivos diretos aos moradores. Participantes ganham pagamentos ao registrar avistamentos de fauna por meio de um aplicativo. A ideia é alinhar renda local com a proteção de espécies.

Ao longo do primeiro ano, mais de 800 observadores atuaram em nove vilas, registrando de 300 a 400 avistamentos por dia. As informações abrangem fauna desde hornbills até gibões, gerando um conjunto de dados rico e utilizável. O custo é baixo, segundo o pesquisador Erik Meijaard.

Como funciona o programa, de forma prática, e quais são os resultados até agora? Cada participante envia fotos, áudio ou vídeo de animais encontrados. Os pagamentos variam conforme a espécie, com valores menores para aves comuns e maiores para animais raros, como orangotangos. As observações passam por verificação antes do pagamento mensal.

Resultados e impactos iniciais

A iniciativa já alterou comportamentos em algumas comunidades. Em vilas onde a caça e a armadilhagem eram comuns, surgiram acordos informais para evitar danos à fauna, apoiados pela nova fonte de renda. Em certos casos, o ganho mensal supera salários locais.

Outra dimensão é o uso dos dados. O projeto é conduzido pela consultoria científica Borneo Futures, com apoio de pesquisadores locais, e busca demonstrar que incentivos baixos podem ampliar o zelo pela floresta. O modelo pode servir como referência para outras regiões.

Quem participa, onde fica o foco e por quê? A participação ocorre em vilas da região de Kapuas Hulu, visando áreas com alta proximidade entre moradores e floresta. O experimento mede se incentivos diretos estimulam comportamentos de proteção sem depender apenas de grandes investimentos.

A avaliação até agora indica que incentivos modestos podem gerar volume expressivo de dados e mudança de referência para a convivência com a vida selvagem. A continuidade do programa depende de sustentabilidade financeira e de validação científica contínua.

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