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Quem prospera não é quem mais usa IA, mas quem consegue pensar sem ela

Gestor britânico alerta que uso agressivo de IA pode formar profissionais que sabem usar a ferramenta, mas não dominam o trabalho.

Gestor de um dos maiores fundos do Reino Unido alerta que profissionais jovens podem estar confundindo familiaridade com ferramentas de IA com domínio do próprio trabalho (Freepik)
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  • Tom Slater, gestor do Scottish Mortgage Investment Trust, alerta que empresas que adotam IA de forma agressiva podem deixar jovens profissionais dependentes da ferramenta, sem domínio do trabalho.
  • Em entrevista, ele afirma que prosperar não depende de usar mais IA, e sim de manter a capacidade de pensar sem ela.
  • Slater cita estudo do MIT (junho de 2025) com 54 participantes, que mostrou menor envolvimento cerebral em tarefas de escrita entre quem usou IA com frequência e dificuldade de recordar textos produzidos.
  • O gestor aponta que a IA aumenta a produtividade a curto prazo, mas pode enfraquecer habilidades cognitivas a longo prazo.
  • A comparação com a aviação, onde pilotos aprendem a voar manualmente antes de usar o piloto automático, serve para defender que profissionais devem desenvolver conhecimento profundo antes de depender da IA.

Tom Slater, gestor do Scottish Mortgage Investment Trust, alerta sobre o risco de empresas adotarem IA de forma agressiva sem desenvolver competências críticas nos funcionários. A afirmação é de que quem prosperará não é quem mais usa IA, mas quem ainda consegue pensar sem ela.

Slater, sócio da Baillie Gifford, afirma que empresas que priorizam IA podem prejudicar a formação de profissionais. Se não incentivarem habilidades analíticas básicas, pode restar quem manuseia ferramentas, mas não domina o trabalho.

A crítica ganhou ênfase após o uso difundido de IA em operações empresariais e em pesquisas sobre aprendizado. Executivos do setor e pesquisadores temem que dependência excessiva reduza capacidades de pensamento crítico ao longo do tempo.

MIT e o alerta cognitivo

Slater cita estudo do MIT, de junho de 2025, envolvendo 54 participantes ao longo de quatro meses. Quem usou ChatGPT para redigir textos mostrou menor envolvimento cerebral e maior dificuldade em reter o que produziu pouco tempo depois.

Segundo o gestor, o benefício imediato da IA não se traduz em domínio técnico. O paradoxo é que a IA eleva a produtividade a curto prazo enquanto pode enfraquecer habilidades cognitivas a longo prazo.

Impacto para o mercado

A prática de limitar contratações de nível inicial, favorecendo IA, é vista como possivelmente prejudicial. Slater compara a situação à economia de uma empresa que força menos vagas e confia demais na IA para o funcionamento diário.

Ele defende que jovens profissionais enfrentem tarefas difíceis para construir expertise antes de dependerem de automação. A capacitação sólida seria o caminho para um desempenho sustentável.

Paralelo com a formação de pilotos

Slater utiliza o exemplo da aviação: pilotos aprendem a operar manualmente antes de usar o piloto automático. No mercado de trabalho, o processo deve seguir o mesmo princípio, segundo o gestor, para evitar lacunas de conhecimento no futuro.

Ao final, Slater reforça a ideia central: quem se destaca no futuro é quem consegue manter o raciocínio independente da IA.

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