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Cafeína pode ajudar cérebro a recuperar memória afetada por noites mal dormidas, aponta estudo

Substância restaura memória social afetada pela privação de sono, atuando diretamente no hipocampo sem hiperestimulação; uso moderado entre 200 mg e 400 mg diário.

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  • Estudo da Escola de Medicina Yong Loo Lin, da Universidade Nacional de Singapura (NUS Medicine), aponta que a cafeína pode restaurar a memória afetada pela privação de sono de forma direcionada.
  • A cafeína atuou no circuito cerebral afetado pela privação, sem provocar hiperestimulação em outras áreas.
  • A privação de sono prejudica a memória social ao alterar a comunicação entre neurônios na área CA2 do hipocampo, comprometendo a plasticidade sináptica.
  • Tomar cafeína por sete dias antes da privação levou a melhorias na memória social, mostrando efeito específico.
  • Especialistas ressaltam que a cafeína não substitui o sono; uso moderado é recomendado, entre 200 mg e 400 mg por dia, idealmente até o meio da tarde.

Dormir mal afeta diretamente uma das funções mais delicadas do cérebro: a memória. Mas um novo estudo da Escola de Medicina Yong Loo Lin, da Universidade Nacional de Singapura, sugere que a cafeína pode ajudar a reduzir parte desses danos — ao menos temporariamente.

Segundo os pesquisadores, a substância foi capaz de restaurar alterações cerebrais provocadas pela privação de sono, especialmente em áreas ligadas à memória social. O efeito chamou atenção porque ocorreu de maneira específica, sem provocar uma hiperativação generalizada do cérebro.

O estudo analisou o impacto da falta de sono sobre o hipocampo, estrutura cerebral essencial para formação de memórias. Os cientistas observaram alterações principalmente na região conhecida como CA2, considerada importante tanto para a memória social quanto para a regulação do ciclo sono-vigília.

Nos experimentos, os participantes dormiram cerca de cinco horas a menos do que o habitual. A redução no descanso comprometeu a comunicação entre os neurônios da região CA2. Já os indivíduos que consumiram cafeína diariamente durante sete dias antes da privação apresentaram melhora significativa na memória social.

Os pesquisadores destacam que o efeito da cafeína parece ser direcionado, e não um simples aumento generalizado da atividade cerebral. Ainda assim, especialistas alertam que a substância não substitui o sono nem elimina os impactos fisiológicos da privação prolongada.

A recomendação considerada segura para adultos varia entre 200 mg e 400 mg de cafeína por dia,  o equivalente a cerca de duas a quatro xícaras de café. O ideal, segundo os especialistas, é evitar o consumo após o meio da tarde para não comprometer o sono noturno.

Os autores ressaltam que os resultados ainda exigem novas pesquisas antes de qualquer aplicação clínica mais ampla. Apesar dos achados promissores, o estudo reforça uma conclusão já consolidada pela ciência: hábitos regulares e saudáveis de sono continuam sendo fundamentais para a memória, o aprendizado e o funcionamento adequado do cérebro.

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