- Desmatamento da Mata Atlântica caiu 40% em 2025, chegando a 8.668 hectares, o menor índice em quinze anos.
- Já o SAD registrou 38,3 mil hectares desmatados no bioma em 2025, o menor valor desde o início dos registros, em 2002.
- A agricultura foi apontada como principal motor de pressão, respondendo por 96% do desmatamento; Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul foram os estados com maior área afetada.
- Embargos remotos (detecção por satélite) e corte de crédito para desmatadores são vistos como medidas de maior impacto para coibir a atividade.
- O desmatamento de 2025 gerou cerca de 4,14 milhões de toneladas de gases de efeito estufa; a ONG destaca a restauração como caminho estratégico para o bioma.
O desmatamento da Mata Atlântica caiu 40% em 2025, atingindo o menor índice em 15 anos. Segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais, elaborado pela SOS Mata Atlântica em parceria com o INPE, a supressão de florestas maduras foi de 8.668 hectares no ano passado, ante 14.3 mil hectares em 2024.
Dados do SAD, sistema criado com MapBiomas e Arcplan, indicam queda de 28% no desmatamento em 2025, passando de 53,3 mil hectares para 38,3 mil hectares. O SAD registra o menor valor desde o início dos monitoramentos, em 2002.
Resultados e contextos
O Atlas aponta que a Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população brasileira, mas hoje restam apenas 12,4% da cobertura original de florestas maduras no bioma. Considerando matrizes mais jovens, a participação sobe para 24%, segundo o SAD.
A redução expressiva em 2025 ocorreu após a promulgação da Lei da Mata Atlântica, em 2006, e está associada a ações de fiscalização, políticas ambientais e pressão pública. A ONG cita ainda a Operação Mata Atlântica em Pé, do Ministério Público, e o uso de embargos remotos para impedir a comercialização de produtos de áreas desmatadas ilegalmente.
Fatores e impactos
A agricultura continua sendo o principal fator de pressão, respondendo por 96% dos 38,3 mil hectares desmatados em 2025. Outras causas, como expansão urbana, mineração e construção de barragens, aparecem em menor escala.
Entre os estados, Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul concentram os maiores registros de perdas. Em termos de área, Minas Gerais e Bahia destacam-se no ranking do Atlas, com números significativos também em Mato Grosso do Sul e Piauí.
A estimativa de emissões associadas ao desmatamento de 2025 é de cerca de 4,14 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, equivalente à produção anual de aproximadamente 965 mil carros, conforme cálculos de órgãos ambientais.
Perspectivas e desafios
A ONG destaca que o bioma continua frágil e que cada fragmento perdido reduz a capacidade de mitigação climática e de proteção da biodiversidade. A entidade reforça a importância de políticas públicas eficazes e de mecanismos de fiscalização para manter a tendência de queda nos índices de desmatamento.
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