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Especialistas fortalecem maçãs diante da crise climática

Programa de melhoramento de porta-enxertos em Geneva busca raízes mais resilientes para enfrentar variações climáticas, com resultados que demoram décadas

Geneva Apple Rootstock Breeding Program at a research station in Geneva, New York.
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  • Cornell University e o Departamento de Agricultura dos EUA conduzem o Geneva Apple Rootstock Breeding Program, buscando porta-enxertos mais resistentes a calor, seca e frio extremo.
  • A pesquisa ganhou importância após quedas bruscas de temperatura em 2015 terem danificado principalmente as raiz de macieiras no nordeste dos EUA.
  • Porta-enxertos influenciam a tolerância a dormência, resiliência a estresses climáticos e redução de porte das árvores, com foco em sobrevivência e produtividade.
  • O programa, ativo desde 1968, já resultou em primeiras variedades comerciais em 1997 e continua gerando novas opções, incluindo uso de maçãs selvagens da Ásia Central para ampliar a diversidade genética.
  • Os ensaios NC-140 testam as melhores opções em várias regiões, avaliando sobrevivência, tamanho do tronco e rendimento ao longo de uma década ou mais.

Terence Robinson, professor de horticultura da Cornell, relembra a chamada Valentine’s Day Massacre de 2015, quando calor inesperado seguido de uma súbita queda de temperatura danificou pomares no Nordeste dos EUA. O impacto principal atingiu as raízes das árvores, não apenas troncos ou galhos.

O episódio, descrito por alguns como declínio rápido de maçãs, ocorreu após uma elevação térmica de fevereiro e uma massa de ar frio que desceu até a Pensilvânia. O choque climato­lógico surpreendeu árvores que já tinham iniciado a dormência.

A pesquisa aponta para a importância das rootstocks, bases sobre as quais o enxerto é cultivado. Muitas plantas comerciais utilizam a combinação de scion de variedade valorizada com uma raiz antiga. O programa da Geneva Apple Rootstock Breeding, em Nova York, une Cornell e o USDA para buscar novas bases mais resilientes.

The Geneva program, liderado por Robinson e pelo cientista Gennaro Fazio, está em atividade desde 1968. A meta inicial era resistência a doenças, mas hoje inclui resistência à seca, tolerância a solos salinos e adaptação a invernos mais moderados.

A partir de dados de 2024, estudos indicam que verões e invernos estão mais quentes, dificultando o atendimento do chilling required pelas macieiras. Temperaturas mais amenas reduzem a dormência, ampliando a janela de vulnerabilidade a geadas.

O projeto Sparc, liderado por Lee Kalcsits da Washington State University, integra a atuação de pesquisadores como Fazio e Robinson. A ideia é tornar as raízes adaptáveis a mudanças climáticas, não apenas ajustadas a um clima futuro específico.

Nos viveiros dos EUA, a ideia é testar as novas bases em várias regiões, com avaliações de sobrevivência, diâmetro do tronco, tamanho de frutos e rendimento ao longo de 10 anos ou mais. Ensaios amplos ajudam a evitar prejuízos para os produtores.

Paralelamente, cientistas exploram raízes silvestres da Ásia Central, berço da domesticação da maçã, para ampliar a diversidade genética. Dados de 2023 e 2024 mostram que novas raízes não apenas resistem a geadas, mas mantêm produtividade em cenários climáticos desafiadores.

A Rede NC-140 coordena parte dos experimentos, com pomares de referência como a Mountain Horticultural Crops Research Station, em North Carolina, avaliando novas cultivares em condições reais de campo.

Para produtores, o investimento em rootstocks representa um horizonte de 15 a 30 anos. As decisões envolvem comprometimento financeiro, planejamento de manejo e a expectativa de colheitas estáveis frente a eventos climáticos extremos.

Quanto ao futuro, especialistas destacam que a adaptabilidade das raízes é crucial. Não se trata apenas de enfrentar um clima específico, mas de manter as plantas resilientes diante de variações imprevisíveis.

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