- Pesquisadores na Ilha Sable, no Canadá, identificaram mais de 300 filhotes de foca-cinza feridos em um único dia, com feridas em formato de saca-rolha.
- Estudo publicado na Marine Mammal Science aponta que as agressões são cometidas por focas-cinzentas adultas do sexo masculino, e não por tubarões ou hélices de barcos.
- Durante a temporada de 2024, foram registrados 765 filhotes mortos na ilha; em 2025, houve avistamento de 359 carcaças em um único dia.
- Todos os ataques observados foram realizados por machos adultos, que atacam para consumir a gordura dos filhotes, fonte de calorias.
- A ecologista Izzy Langley, da Universidade de St Andrews, ressalta que ainda não se sabe se o comportamento é natural ou causado por fatores externos, e não há recomendação de intervenção no momento.
O que aconteceu: focas-cinzentas adultas do sexo masculino atacaram filhotes na Ilha Sable, maior colônia de reprodução da espécie no mundo. Em 2024, a equipe de pesquisa identificou 765 filhotes mortos ao longo da temporada. Em 2025, chegaram a avistar 359 carcaças em um único dia.
Quem está envolvido: os ataques são praticados por machos adultos da espécie. A equipe liderada pela ecologista marinha Izzy Langley, da Universidade de St. Andrews (Reino Unido), acompanha os registros desde 2024 na Ilha Sable.
Quando e onde: os ocorridos ocorrem durante a temporada de reprodução na Ilha Sable, situada no litoral leste do Canadá, onde cerca de 80 mil filhotes nascem a cada inverno.
Como e por quê: os ferimentos lembram marcas de saca-rolhas, causadas por presas grandes e garras. Pesquisadores ainda avaliam se o comportamento é natural ou decorrente de fatores externos, sem indicar intervenção no momento.
Contexto científico
Desde 1980, já havia registros de feridas com esse formato na ilha. Em 2016, houve relato isolado na Escócia de um ataque por uma foca adulta. Em Sable, o padrão de ataque por adultos machos não era previamente observado de forma sistemática.
Langley afirma que o comportamento pode estar ligado à necessidade de energia extra para as fêmeas durante a reprodução, com filhotes servindo como fonte calórica. A equipe ressalta que ainda não há evidências de que o comportamento seja ensinável ou contagiante.
Perspectivas e próximos passos
Os pesquisadores continuam monitorando a população de filhotes e registrando casos de ataque. Até o momento, não há recomendações de intervenção, e o estudo visa esclarecer se o comportamento é emergente, adaptativo ou resultado de outras pressões ambientais.
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