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Arqueólogos descobrem câmara escondida no Egito com 22 caixões e papiros

Luxor: câmara enterrada revela 22 caixões com múmias e oito papiros lacrados; depósito secundário de Cantoras de Amon e busca pelos túmulos originais

Cena de banquete com mulheres e músicas pintada nas paredes do túmulo de Djeserkaraseneb. (Foto: Wikimedia Commons)
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  • Arqueólogos encontraram, em Luxor, uma câmara funerária subterrânea com 22 caixões de madeira pintados e oito papiros lacrados.
  • Os caixões estavam no canto sudoeste do pátio do túmulo de Djeserkaraseneb, ligado ao templo de Amon, durante a XVIII Dinastia, por volta de 1400 a.C.
  • A maior parte dos caixões não traz nomes, mas títulos como “Cantora de Amon”, situando-se no papel feminino em rituais do templo de Karnak.
  • Os papiros, encontrados dentro de uma grande vasilha cerâmica, permanecem sob restauração para determinar se contêm hinos, textos funerários, registros administrativos ou trechos do Livro dos Mortos.
  • A descoberta é considerada um depósito secundário, não o túmulo original, e a próxima etapa é localizar os sepulcros de onde vieram os 22 caixões para entender se as Cantoras de Amon eram sepultadas juntas ou reunidas posteriormente.

Uma missão arqueológica egípcia encontrou neste ano, em Luxor, uma câmara funerária subterrânea com 22 caixões de madeira pintados, todos contendo múmias, e oito papiros lacrados, alguns com selos de argila originais.

A descoberta ocorreu em Sheikh Abd el-Qurna, área da necrópole tebana na margem oeste do Nilo. A câmara fica no canto sudoeste do pátio do túmulo de Djeserkaraseneb, escriba e contador de grãos do templo de Amon, que viveu por volta de 1400 a.C., na XVIII Dinastia. A missão envolveu o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito e a Fundação Zahi Hawass para Antiguidades e Patrimônio.

Quase todos os caixões não trazem nomes, apenas títulos, sendo o mais comum a designação Cantora de Amon. Esse cargo descreve mulheres que cantavam em rituais no templo de Karnak, um dos principais centros religiosos do antigo Egito.

Segundo Hisham al-Leithy, secretário-geral do Conselho, o título abre nova linha de pesquisa sobre o papel das mulheres no culto a Amon. Cantoras costumavam integrar famílias da elite sacerdotal tebana e participavam de rituais com música e canto sagrado.

Ao lado dos caixões foram recuperados vasos de cerâmica usados na mumificação, contendo materiais como natrão, resinas e tecidos de linho. Esses itens ajudam a sustentar as hipóteses sobre práticas funerárias da época.

Papiros lacrados

Os oito papiros foram encontrados dentro de uma grande vasilha de cerâmica na mesma câmara. Alguns mantêm selos de argila originais, preservados há cerca de três milênios. O conteúdo só poderá ser conhecido após restauração e tradução em laboratório.

Afifi Rahim, supervisor da missão, chamou os papiros de tesouro de informações. Os textos podem incluir hinos religiosos, composições funerárias, registros administrativos do templo de Amon ou cópias de trechos do Livro dos Mortos.

Zahi Hawass, ex-ministro de Antiguidades e coordenador da missão, informou que o espaço não era um túmulo original, mas um depósito secundário. Caixões teriam sido transferidos para aquele local em algum momento da antiguidade.

Sherif Fathy, ministro do Turismo e Antiguidades, ressaltou que a descoberta amplia o registro de achados arqueológicos em Luxor. A missão continuará buscando os túmulos originais de onde os caixões teriam sido retirados para esclarecer se as Cantoras de Amon formavam um grupo separado ou se foram reunidas mais tarde.

A próxima etapa envolve rastrear os locais originais dos enterros, o que pode esclarecer a organização dos restos funerários e confirmar o modo como as Cantoras de Amon foram sepultadas.

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