- Café é visto como alternativa para reduzir o desmate em Valença, RJ, por meio do projeto ReCoSer, que envolve uma RPPN de 34,7 hectares adquirida em 2018.
- Entre 2020 e 2021, Valença ficou entre os dez municípios com maior desmatamento no estado, somando 65 hectares derrubados.
- A cafeicultura é cultivada em sistema agroflorestal, com o grão plantado junto a espécies nativas para manter a mata em pé.
- A reserva utiliza bioconstrução na sede (taipa de pilão, adobe, tijolos de terra crua, palha) e testa um biodigestor que gera energia limpa e biofertilizante.
- Como futuro, há intenção de ampliar a renda com turismo rural ecológico e pleitear a inclusão da RPPN como Unidade de Conservação para receber ICMS ecológico em 2026.
O café surge como alternativa para reduzir o desmatamento em Valença, no interior do Rio de Janeiro. A ideia surgiu de um plano de aposentadoria que hoje se transformou em projeto de cafeicultura na região, sobretudo na área do distrito de Santa Isabel do Rio Preto. A iniciativa busca revitalizar a Mata Atlântica por meio da produção e da criação de uma economia local mais sustentável.
O projeto se materializou na Reserva Comuna da Serra (ReCoSer), uma RPPN criada em uma propriedade adquirida em 2018. A área total é de 34,7 hectares, recuperou trilhas de migração prejudicadas pelo desmate e serve de base para a cafeicultura integrada ao ambiente natural. A proposta envolve a autossustentação da reserva.
Quaresma e Tredinnick, naturais do Rio e moradores de Valença, explicam que a ideia nasceu de um sonho de aposentadoria aliado à conservação ambiental. A região é parte da Mata Atlântica de interior, mapeada pelo ICMBio, que identifica fragmentos de floresta estacional com clima tropical sazonal. A gestão é compartilhada entre eles e profissionais técnicos.
A escolha pelo café decorre da observação local de práticas históricas e de pés mortos encontrados na propriedade. A proposta visa resgatar a cafeicultura, associando-a ao reflorestamento, de modo que a floresta permaneça em pé. Segundo os idealizadores, a convivência entre mata e café pode beneficiar both.
As primeiras safras já foram colhidas, três anos após o plantio. O cultivo ocorre em sistema agroflorestal, evitando a produção extensiva. O café é plantado junto a árvores nativas para manter a dinâmica ecológica da reserva, que permanece integrada ao ecossistema.
Na propriedade, aproximadamente seis alqueires destinam-se à preservação integral, enquanto dois abrem espaço para o cultivo e as estruturas de apoio ao ReCoSer, iniciadas em 2020. A sede da reserva adota bioconstrução, com taipa de pilão, tijolos de terra crua, palha e adobe, além de um biodigestor em fase de testes.
O biodigestor utiliza dejetos de porcos para gerar energia limpa e produzir biofertilizante para o cultivo. Profissionais especializados apoiam a arquitetura e as tecnologias, com participação de agrônomos e empresas ligadas à sustentabilidade, como Gera Brasil, Matéria Base e Fluxo.
Sustentabilidade e turismo como eixo
A iniciativa está na fase de observação das safras, priorizando qualidade em vez de quantidade. O objetivo é produzir um café especial, valorizando práticas sustentáveis e o manejo ambiental. O projeto também prevê ampliar a renda com turismo rural e ecológico, além do café.
Para o futuro, os idealizadores pretendem expandir a iniciativa como fonte de renda sustentável, mantendo o compromisso com o meio ambiente. A diversificação de atividades é vista como proteção econômica diante de mudanças climáticas que afetam safras.
Possível reconhecimento como Unidade de Conservação
Nesta semana, a Secretaria de Meio Ambiente de Valença procurou a ReCoSer para viabilizar a inclusão da RPPN entre as Unidades de Conservação do município ainda em 2026. A medida pode permitir benefício fiscal por meio do ICMS ecológico, com redistribuição de recursos ao município e aporte para a gestão da reserva.
Entre na conversa da comunidade