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Nascem os primeiros bezerros da nova raça bovina que chegou ao Brasil

Nascem os primeiros bezerros da raça Boran no Brasil, vindo do Paraguai, primeira nova raça zebuína em mais de trinta anos, com potencial de aumentar produtividade e rusticidade

Pecuarista Diego Mendes, doutor em saúde animal, no CB.Poder. Na bancada, as jornalistas Mariana Niederauer (C) e Sibele Negromonte - (crédito: Andréa Nalini/CB/D.A Press)
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  • Começaram a nascer os primeiros bezerros da raça Boran no Brasil, origem Paraguai, com importação de 174 embriões e sêmen após cerca de três anos de tramitação de autorização. A última raça zebuína a entrar no país foi a Brahman, em 1994.
  • A Boran chega para complementar o Nelore, oferecendo frame médio e aptidão carniceira, com enfoque na eficiência produtiva.
  • A raça é extremamente fértil, longeva e muito rústica, capaz de tolerar climas extremos, forragens de baixa qualidade e até escassez de água; desmamar bezerro com mais de 50% do peso da mãe é uma característica importante.
  • O Brasil tem tecnologia de reprodução animal avançada; a transferência de embriões é viável, e há expectativa de desenvolver um Boran com adaptação às particularidades do bioma brasileiro.
  • A Boran pode contribuir para sistemas de produção mais sustentáveis e já vem sendo testada em cruzamentos e inseminação artificial, com resultados positivos quando associada a boa nutrição.

Na última semana nasceram os primeiros bezerros da raça Boran no Brasil, a primeira nova raça zebuína introduzida no país em mais de 30 anos. Os exemplares são de origem paraguaia, com embriões e sêmen importados para o manejo nacional. A chegada desperta interesse de pecuaristas do país na busca por produtividade, rusticidade e sustentabilidade.

O processo envolveu autorização de importação de material genético após anos de negociação. Foram iniciados 174 embriões, em um marco para a pecuária brasileira, que busca diversificar o rebanho com genética de fora. A operação é acompanhada por entidades ligadas ao setor e pela imprensa local.

O pecuarista Diego Mendes, doutor em saúde animal, comenta a importância da Boran para o Brasil. Ele participou de uma entrevista ao CB.Agro, parceria entre Correio Braziliense e TV Brasília, destacando o papel da raça no cenário atual da pecuária nacional.

Origem e chegada da Boran

A Boran surge como complemento ao Nelore, dominante no Brasil. Mendes afirma que a genética externa pode ampliar a eficiência produtiva ao lado da base já consolidada de zebuínos nacionais. A raça apresenta porte médio e aptidão carniceira, com potencial de melhorar o desempenho por área.

A ideia é combinar a adaptabilidade do Nelore com características da Boran para aprimorar a produção de carne. A expectativa é que o novo rebanho ofereça maior eficiência e melhor aproveitamento de recursos no campo brasileiro.

Características e desempenho

A Boran é conhecida por fertilidade e longevidade, com vacas que podem parir após décadas de atividade. É resistente a climas extremos, forragens de baixa qualidade e períodos de seca. A vaca Boran pode desmamar bezerros com mais de 50% do peso corporal, fator relevante para a produtividade.

A raça foi desenvolvida há décadas no Quênia, a partir de herdados de origens inglesas, com foco em adaptabilidade ambiental. O Brasil aposta na aplicação de tecnologia de reprodução para adaptar a Boran ao bioma nacional.

Clima, tecnologia e produção no Brasil

Especialistas defendem que a Boran pode contribuir para sistemas de produção mais sustentáveis. A raça já demonstra boa resposta em cruzamentos por inseminação artificial em ambientes mais intensivos, desde que haja nutrição adequada. A tecnologia brasileira em reprodução animal é apontada como elemento-chave para o sucesso.

A perspectiva é que o Brasil, com nutrição avançada e biomas diferentes dos africanos, desenvolva uma Boran com características próprias. A adaptação de longo prazo é prevista para acompanhar mudanças climáticas que afetam a pecuária globalmente.

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