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A guerra nos fez humanos; debate sobre o fim da guerra entre nossa espécie

Análise afirma que a guerra moldou a coesão social, mas amplifica riscos existenciais, com armas nucleares elevando a probabilidade de fim da humanidade

Decisões, que podem ser tomadas por impulso e erro, estão nas mãos de gente como Trump (esq.) e Putin (dir.), diz o articulista
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  • O texto discute o livro de Peter Turchin, que analisa a evolução da complexidade social nos últimos dez mil anos e afirma que a guerra funciona como mecanismo de seleção entre sociedades.
  • Exemplo do Hawaii, antes de James Cook, como sociedade arcaica com elite, comuns e escravos, onde rituais determinavam submissão e punição de morte; escravos eram sacrificados em preparativos de guerra.
  • A guerra é vista como fator que uniu povos, elevou a cooperação interna e permitiu maior escala e organização social, com as oligarquias buscando poder absoluto e usando a religião para legitimação.
  • Religiões foram tecnologias sociais de estabilização, promovendo cooperação e vigilância moral, mas também apoiando o status quo das elites, contribuindo para desigualdade estrutural.
  • A partir do século vinte, surgem riscos existenciais, incluindo guerra nuclear e crises climáticas; há alerta sobre a possibilidade de extinção humana em décadas, com referência a líderes e potências nucleares em jogo.

A guerra moldou a humanidade, segundo a leitura do pesquisador Peter Turchin. Em The Great Holocene Transformation (2025), ele analisa como a complexidade social evoluiu nos últimos 10 mil anos, até chegar às sociedades modernas. A obra explora ciclos de estabilidade, crise e reorganização.

Turchin aponta que a guerra foi um motor de seleção entre sociedades. Grupos mais coesos, organizados e numerosos conseguiram dominar rivais, expandir territórios e impor estruturas hierárquicas. O autor cruza dados climáticos, demografia e instituições para sustentar a visão.

Ao mesmo tempo, a hierarquia elevou a desigualdade. O funcionamento de elites, usando religião como legitimação, ajudou a manter o status quo e a ampliar a escala social. Em alguns casos, essa combinação foi sustentável por longos períodos, até mudanças no século XX.

Mudança de tema: religião e estabilidade

Entre as instituições, Turchin destaca as grandes religiões como tecnologias de estabilização social. Elas moldaram normas de conduta e reforçaram a coesão interna, ao mesmo tempo em que legitimavam posições dominantes. Resultado: sociedades mais organizadas e com maior capacidade de mobilização.

O autor reforça que o aumento da escala trouxe vulnerabilidades. Sociedades muito desiguais, em geral, enfrentaram fragilidades estruturais que dificultavam cooperação estável. Desafios internos alimentaram tensões que, em alguns casos, levaram a crises profundas.

Risco existencial atual

O livro discute riscos modernos que podem ameaçar a própria sobrevivência humana. Mesmo com crescimento econômico, emissões de carbono e poluição representam pressões sistêmicas. A narrativa cita o aumento de eventos extremos como parte do contexto global.

Especialistas citados, como físico, indicam que a chance de sobrevivência de cinco décadas é menor do que se imagina, devido a tensões nucleares. O Nuclear age, aliado a mudanças climáticas e crises fiscais, aumenta o quadro de incerteza.

Nessa linha, a leitura de Turchin sugere paradoxo: a guerra, que uniu grupos no passado, pode, em escala global, paradoxalmente, acelerar riscos que ameaçam a própria continuidade da espécie. A atmosfera de incerteza acompanha as decisões de líderes globais.

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