- O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital, Henrique Miguel, afirmou ao Poder360 que o Brasil não entrou atrasado na corrida pela IA, e que o mundo foi surpreendido pela velocidade de avanço e pelos investimentos das big techs.
- Ele disse que o crescimento da IA acelerou a disputa tecnológica, com Estados Unidos e China em posição superior, mas chamou a atenção pelo volume de aportes privados no setor.
- Henrique Miguel destacou o risco de dependência do Brasil de tecnologias estrangeiras em áreas estratégicas, e a IA aumentando a relevância geopolítica dessas tecnologias.
- O secretário afirmou que a concentração de infraestrutura de IA em grandes empresas pode levar a restrições de acesso a tecnologias essenciais, elevando a vulnerabilidade cibernética.
- Sobre dados, ele afirmou que bases sensíveis já foram transferidas para território nacional, com atualização de data centers pelo Serpro e Dataprev, e que dados governamentais sensíveis não podem sair do país.
O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do MCTI, Henrique Miguel, afirmou ao Poder360 que o Brasil não entrou atrasado na disputa pela IA. Ele ressaltou que o cenário global foi abruptamente redefinido pelo avanço das ferramentas generativas e pelos investimentos das grandes empresas de tecnologia.
Miguel destacou que o ritmo do desenvolvimento de IA acelerou a partir da entrada de grandes players no setor, mudando a escala da competição tecnológica mundial. Segundo ele, as big techs têm investido volumes superiores aos de muitos países existentes.
O secretário observou que Estados Unidos e China seguem em vantagem no aspecto de capital disponível, mas chamou a atenção para o peso do financiamento privado na IA. Ele afirmou que o volume de recursos é elevado além do que se vê em outras regiões, incluindo a Europa.
Dependência tecnológica
Para Henrique Miguel, o principal risco para o Brasil é a dependência de tecnologias estrangeiras em áreas estratégicas, ampliada pela aplicação da IA em saúde, agricultura, educação, biologia, química e pesquisa. A concentração de infraestrutura em poucas empresas é tema de preocupação.
Ele apontou que eventuais restrições de acesso a tecnologias consideradas críticas podem impactar o país. O secretário citou contratos de aquisição de supercomputadores, infraestrutura de ponta e programas, nos quais cláusulas costumam acompanhar as compras.
A vulnerabilidade cibernética também foi mencionada pelo ministro, que associou a defesa do país à necessidade de desenvolver capacidades próprias em ferramentas, equipamentos e recursos humanos. Sem autonomia, a proteção de dados fica comprometida.
Dados estratégicos e soberania
Segundo o secretário, o governo já transferiu dados sensíveis para dentro do Brasil. O Serpro e a Dataprev passaram por atualizações de data centers e infraestrutura para manter informações governamentais em território nacional.
Miguel destacou a preocupação com a proteção de dados públicos sensíveis e afirmou que esses conjuntos não devem sair do país. A fala reforça a atuação governamental voltada à soberania digital e à segurança de informações estratégicas.
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