- As temperaturas de São Paulo aumentaram significativamente em relação à média global: a máxima diária subiu 2,4 °C e a mínima diária 2,8 °C desde o início do século vinte, segundo dados do IPCC.
- O fenômeno está associado à ilha de calor urbana, causada pela substituição de vegetação por asfalto, concreto e alvenaria.
- Estudo using dados de 70 cidades do Estado, entre 2013 e 2025, a partir de imagens Landsat, aponta concentrações de ilhas de calor na região nordeste e em áreas de maior densidade populacional.
- No verão, a temperatura de superfície em áreas urbanizadas mais quentes pode chegar a até 60 °C; áreas mais frias, com vegetação e água, chegam a 25 °C, com diferença média entre zonas quentes e frias entre 7 °C e 12 °C.
- Soluções baseadas na natureza podem oferecer resfriamento local de até 7 °C; o projeto Sampa Adapta e estações de rua ajudam a medir os impactos das ondas de calor, em parceria entre FAPESP e NWO.
O que aconteceu: pesquisadores da USP mostraram que a cidade de São Paulo aquece acima da média global, especialmente nas áreas urbanizadas, onde a vegetação foi substituída por asfalto, concreto e alvenaria. O tema foi debatido em evento promovido pela FAPESP e pela NWO.
Quem está envolvido: Humberto Ribeiro da Rocha, da USP, apresentou dados; os estudos contam com a participação de Miguel de Carvalho Diafé́ria, Rodrigo Lustosa, Ana Nogueira Campelo e Denise Duarte, parceiros do CCD apoiado pela FAPESP.
Quando e onde: as observações foram apresentadas em 7 de maio, no auditório da FAPESP, durante o encontro sobre eventos extremos de calor e água.
Onde e por quê: a ilha de calor urbana explica a elevação de temperaturas, pois áreas com menos vegetação e mais materiais de construção tendem a ficar mais quentes. A cobertura vegetal atua como resfriamento local.
Dados e método
No longo prazo, as máximas chegam a 2,4 °C acima da média global, com o calor atingindo picos por volta das 13h. As mínimas, registradas pela manhã, subiram 2,8 °C desde o início do século XX.
No estudo recente, foram analisadas 70 cidades do Estado de São Paulo usando imagens Landsat (Nasa) de 2013 a 2025 para relacionar ilha de calor e vegetação. As áreas mais quentes costumam ter menor cobertura vegetal.
Em áreas críticas da Grande São Paulo, a temperatura de superfície no verão pode chegar a 60 °C, enquanto zonas com vegetação e água atingem no máximo 25 °C. A diferença média entre áreas quentes e frias fica entre 7 °C e 12 °C.
Efeitos das ondas de calor
Dados de 25 estações no nível da rua e de configurações internas ajudaram a medir o efeito local das ondas de calor. O objetivo é entender impactos regionais na temperatura do ar nas vias e residências.
A pesquisa já aponta a eficiência da revegetação urbana como forma de reduzir o calor extremo, com reduções locais de até 7 °C em relação às ruas sem sombra.
Soluções baseadas na natureza
As SbN aparecem como uma estratégia viável para resfriamento urbano. Experimentos indicam que sombreamento por vegetação na região metropolitana pode gerar ganhos de temperatura significativos, especialmente em eventos extremos.
A equipe ressalta que a recuperação de áreas verdes na Região Metropolitana de São Paulo é uma oportunidade prática para mitigar impactos do calor.
Parcerias e cooperação internacional
A cooperação entre FAPESP e NWO continua, com cinco projetos para os próximos anos. Quando destacada, a relação entre Brasil e Países Baixos tem sido elogiada pela qualidade das pesquisas.
O presidente da FAPESP, Marco Antônio Zago, enfatizou que a colaboração se traduz em artigos de alto impacto e soluções bem referenciadas pela literatura científica. O intercâmbio é visto como estratégico.
Representantes neerlandeses destacaram a satisfação com o diálogo e a continuidade da parceria, que soma mais de uma década de cooperação. A expectativa é ampliar vínculos e projetos conjuntos.
A vice-presidente do IPCC, Thelma Krug, reforçou a urgência de preparar cidades para cenários que podem superar 1,5 °C neste século, com foco em ações locais de mitigação.
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