- Comer mastigando mais pode melhorar digestão, absorção de nutrientes e sensação de saciedade, além de reduzir fome ao longo do tempo.
- Há evidências associando a mastigação a melhor saúde cerebral, memória e atenção, com estudos que ligam dentição saudável a desempenho cognitivo.
- Pesquisas sugerem que mastigar pode aumentar o fluxo sanguíneo para o cérebro e estimularCircuitos neurais conectados ao hipocampo, região ligada à memória.
- A mastigação também pode reduzir estresse e ansiedade em várias situações, como em estudantes, pacientes em cirurgia e pessoas sob pressão.
- Experimentos indicam que o efeito na atenção tende a durar pouco tempo (em torno de 15 a 20 minutos), e não há consenso sobre mecanismos exatos ou eficácia universal.
Uma pesquisa recente resume como a mastigação, além de facilitar a digestão, pode influenciar o funcionamento do cérebro e até a prevenção de declínio cognitivo. O estudo revisita a ideia de que mastigar bem impulsiona energia para o cérebro, o que pode impactar memória, atenção e humor.
O material cita o histórico Fletcherismo, defendido por Horace Fletcher no início do século 20, que pregava mastigar até quase liquefazer o alimento. Pesquisadores atuais reconhecem que há elementos válidos na relação entre mastigação e saúde, ainda que sem conclusões definitivas.
Origens evolutivas e função da mastigação
A pesquisa aponta que humanos e seus ancestrais possuem mandíbulas adaptadas para mastigar, evoluindo com mudanças no ambiente. O aumento da capacidade mastigatória ocorreu para lidar com alimentos mais duros, como sementes e tubérculos.
Com a domesticação e a culinária, a mastigação passou a ser menos longa, mas continua sendo a primeira etapa da digestão, dizem especialistas. A saliva e enzimas ajudam a preparar o alimento para o intestino.
Mastigação e absorção de nutrientes
Mastigar aumenta a área de superfície dos alimentos, favorecendo a ação de enzimas digestivas. Além disso, provoca maior produção de saliva e secreção de enzimas, contribuindo para a absorção de nutrientes.
Estudos citados indicam que mastigação intensa pode reduzir a excreção de gordura na urina, sugerindo melhor aproveitamento energético de nutrientes como lipídeos. A sensação de saciedade também tende a aparecer mais rápido.
Efeito sobre o apetite e saciedade
Duas meta-análises associam maior número de ciclos de mastigação à redução da fome. Em média, 20 minutos podem influenciar a liberação de hormônios de saciedade, como PYY e CCK, ajudando a inibir o apetite.
A mastigação de alimentos sólidos, com textura maior, costuma retardar o ritmo de alimentação e favorecer a sensação de plenitude. Pesquisas sugerem que alimentos mais viscosos ou com textura exigem mais mastigação.
Repercussões no cérebro e memória
Pesquisas associam a mastigação a melhor desempenho em testes cognitivos, especialmente em idosos. Existe a hipótese de que a mastigação favorece o fluxo sanguíneo cerebral e envolve circuitos neurais ligados à memória.
Alguns estudos apontam que pessoas com boa capacidade mastigatória obtêm melhor desempenho em memória semântica e de longo prazo, em comparação a quem tem dentição comprometida.
O que se sabe sobre a relação com Alzheimer
Há evidências que ligam má saúde dentária com maior risco de doenças neurodegenerativas. A atenção dos pesquisadores tem se voltado para o eixo entre mastigação, dentição e função cerebral, sem, porém, consenso definitivo.
Estudos observacionais sugerem que manter dentição preservada pode contribuir para a manutenção cognitiva, mas ainda faltam investigações controladas para confirmar causalidade.
Pesquisas em andamento
Um grupo liderado por Mats Trulsson testa pacientes com implantes dentários para avaliar mudanças no funcionamento cerebral antes e após o tratamento. O objetivo é observar se restaurações dentárias podem alterar marcadores de saúde cerebral.
A equipe utiliza exames de ressonância magnética para monitorar possíveis mudanças na saúde vascular do cérebro e em lesões brancas associadas a envelhecimento cerebral.
Desafios e limitações
Especialistas destacam que as evidências sobre o efeito direto da mastigação na calma mental e no humor ainda são dispersas. Estudos variam em desenho, tamanho de amostra e fatores de confusão.
Mesmo com resultados encorajadores, não há número mágico de mastigações necessário para efeitos desejados. Recomenda-se mastigar de forma adequada, sem exageros, conforme a necessidade individual.
Implicações práticas
Pesquisas apontam que consumir refeições com textura mais firme pode favorecer a saciedade e auxiliar no controle de peso. Escolher alimentos sólidos em vez de líquidos pode ajudar nesse aspecto.
Ao mesmo tempo, a qualidade da mastigação pode influenciar o bem-estar cognitivo ao longo da vida, especialmente em idosos, sem substituição de hábitos de saúde comprovados.
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