- Pelo menos 60 elefantes cruzaram do Quênia para o lado Ugando do Monte Elgon no ano passado, voltando a uma parte de seu habitat natural não visto há mais de 40 anos.
- O monitoramento com colares de rastreamento é realizado pela Mount Elgon Foundation, que também apoia projetos comunitários de manejo florestal e formação de 18 agentes comunitários na margem queniana.
- Especialistas dizem que a volta pode estar ligada ao aumento da população no Quênia, à pressão humana maior naquele lado e à relative segurança no parque nacional de Uganda.
- A Uganda Wildlife Authority observa que o retorno indica recuperação da espécie, após décadas de degradação do habitat, com evidências por meio de voos de drone.
- Comunitários em Bukwo aguardam medidas de coexistência, como cercas elétricas, trincheiras e compensação por danos agrícolas, além de potencial impulso ao turismo na região.
Os elefantes retornaram ao lado de Mount Elgon, no Uganda, após quatro décadas de ausência. Dados de monitoramento com colares rastreadores da Mount Elgon Foundation indicam que, no ano passado, pelo menos 60 animais cruzaram a fronteira do Quênia para o lado ugandense, retomando parte de seu habitat tradicional.
A Mount Elgon Foundation financia projetos comunitários para reduzir a degradação florestal e promover a conscientização ambiental. A organização conta com uma equipe de 18 catadores comunitários no Quênia, integrando o Mount Elgon Elephant Project, da East African Wild Life Society.
Segundo Chris Powles, presidente da MEF, em 2022 eles observaram quatro elefantes cruzando o rio Suam, que delimita a fronteira entre os dois países. Ele destacou que ainda não é possível apontar uma causa única para o retorno.
A Uganda Wildlife Authority (UWA) afirma que as travessias indicam recuperação da espécie. Caroline Asiimwe, responsável por pesquisa e monitoramento ecológico, disse que o Mount Elgon já hospedou elefantes, que haviam sumido com a degradação do habitat. A restauração do ambiente tem atraído novamente os animais.
Asiimwe explicou que, com o uso de drones, foi registrado um rebanho retornando ao lado ugandense desde novembro, sem novos deslocamentos para o Quênia. O parque abriga mais de 300 espécies de aves, além de leopardos, oribes e elefantes, e é reconhecido como Área de Biosfera pela UNESCO.
Comunidades locais em Bukwo e regiões vizinhas convivem com a presença dos elefantes. Segundo o pesquisador Samuel Ngirio, do Saptet, há sinais de regeneração de áreas degradadas, o que facilita a entrada dos animais em áreas reflorestadas. O retorno é visto como indicação de recuperação do ecossistema.
A presença de elefantes pode impulsionar o turismo na região, oferecendo oportunidades de emprego, como guias e rangers, desde que controles estejam em vigor. A líder comunitária Araptison Moses Malinga destacou a necessidade de medidas como cercas elétricas, trincheiras e melhor compensação por perdas de culturas e meios de subsistência.
Em 2025, moradores relataram danos significativos a plantações de milho e banana devido aos elefantes. A UWA afirmou que equipes locais contiveram ataques aos campos neste ano e já trabalham em estratégias de convivência. Planos incluem treinar comunidades para cultivos menos atrativos aos animais.
James Musinguzi, diretor executivo da UWA, frisou que iniciativas já em curso visam restaurar habitats, criar corredor ecológico para deslocamento seguro e envolver comunidades em conservação e turismo sustentável. O objetivo é equilibrar preservação com segurança e renda local.
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