- MPI e Fiocruz assinam Termo de Execução Descentralizada para enfrentar a contaminação por agrotóxicos, com investimento de R$ 1.146.880 por 12 meses.
- Territórios Guarani e Kaiowá, no sul de Mato Grosso do Sul, enfrentam danos ambientais e de saúde; dois bebês morreram em três meses no tekoha Jopara, em Coronel Sapucaia.
- Moradores relataram vômitos, diarreia e cefaleia após pulverização em lavouras vizinhas; em abril de 2025, indígena morreu após ingerir bebida armazenada em galão de agrotóxico na Terra Indígena Guassuty, em Aral Moreira.
- Levantamento aponta que 60,8% dos territórios apresentam sintomas de intoxicação; crianças e gestantes são as principais vítimas, com denúncias de uso intencional de agrotóxicos como arma em pelo menos cinco territórios.
- O plano do TED tem duas frentes: capacitação em Vigilância Popular em Saúde e planos de Supressão da Exposição em pelo menos três territórios críticos.
O MPI (Ministério dos Povos Indígenas) e a Fiocruz formalizaram, no último sábado (16/5), um Termo de Execução Descentralizada para enfrentar a crise de contaminação por agrotóxicos nas terras dos povos Guarani e Kaiowá, no sul de Mato Grosso do Sul. O acordo tem valor total de R$ 1.146.880 e vigência de 12 meses, com foco em ações técnico-científicas e operacionais de resposta emergencial.
Dois bebês morreram em três meses no tekoha Jopara, em Coronel Sapucaia, após relatos de vômitos, diarreia e cefaleia logo após pulverizações próximas. Em abril de 2025, um indígena faleceu na Terra Indígena Guassuty, em Aral Moreira, após ingerir bebida armazenada em galão de agrotóxico. As mortes são associadas à contaminação e à falta de água potável e assistência adequada.
Dados da contaminação e alcance da crise
Conforme o Gabinete de Crise Guarani Kaiowá, 51 territórios indicam contaminação como rotina. Em 60,8% das áreas há moradores com sintomas de intoxicação, com crianças e gestantes entre as principais vítimas. Em pelo menos cinco territórios, há denúncias de uso de agrotóxicos como arma contra comunidades.
A situação envolve pulverização em larga escala: 27,5% das áreas com pulverização aérea e 64,7% com pulverização terrestre. O uso de equipamento conhecido como formigão é comum, impactando água, roças de subsistência e a saúde da população.
Plano de atuação do TED
O plano de trabalho do TED prima pela Capacitação em Vigilância Popular em Saúde, incluindo treinamento de indígenas e especialistas para reconhecer sinais de intoxicação e estabelecer nexo epidemiológico. Também prevê Planos de Supressão da Exposição, com estratégias em ao menos três territórios críticos para reduzir ou eliminar o contato com agrotóxicos.
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