- O robô submarino Icefin perfurou 600 metros de profundidade até a base da Geleira Thwaites, na Antártida, para explorar o ambiente sob o gelo.
- A Geleira Thwaites é o maior ponto de instabilidade da Antártida Ocidental, com área de cerca de 192.000 km² e resposta por aproximadamente 4% da elevação do nível do mar mundial.
- Imagens do Icefin mostraram fendas profundas e água quente canalizando a base, com derretimento mais intenso em áreas com geometria irregular sob o gelo.
- Estudo de 2024 na Proceedings of the National Academy of Sciences identificou intrusões de água do mar sob o gelo ainda ancorado, sincronizadas com marés, indicando uma fronteira entre gelo ancorado e flutuante que se comporta de forma dinâmica.
- Cientistas discutem a possibilidade de geoengenharia para impedir o derretimento, incluindo barreiras submarinas para bloquear correntes quentes que alimentam a derrocada da geleira.
O robô submarine Icefin perfurou 600 metros de gelo na Antártida e mergulhou sob a Geleira Thwaites para registrar fendas, água quente e padrões de derretimento. A operação ocorreu na região da Antártica Ocidental, onde as fendas canalizam calor e aceleram o colapso potencial da geleira, com implicações para o nível do mar global.
A missão, conduzida pela Colaboração Internacional Thwaites Glacier (ITGC), usa uma sonda de água quente para perfurar o furo e permitir a passagem do Icefin, um veículo com menos de 25 cm de diâmetro e mais de 3,6 metros de comprimento, equipado com câmeras, sonares e sensores. A sonda foi instalada a 600 metros de profundidade, perto da linha de flutuação da geleira.
As imagens obtidas mostram a superfície inferior da Thwaites e destacam diferenças entre áreas de derretimento lento e rápido. Dados de pesquisas anteriores indicam variações significativas na taxa de derretimento, dependendo da geometria subglacial, com fendas profundas aumentando a entrada de calor.
Estudos anteriores, publicados pela Cornell em 2023, apontaram que áreas planas sob a geleira derretem em torno de 1,8 a 5,5 metros por ano, menos do que muitos modelos previam. Em contraste, regiões com fendas e terraços exibem derretimento mais intenso, impulsionado pela circulação de água morna e pelo sal presente na água oceânica.
Uma linha de pesquisa de maio de 2024, publicada na PNAS, revelou intrusões de água marinha de vários quilômetros sob o gelo ainda ancorado, sincronizadas com marés. A descoberta mostra que a fronteira entre gelo ancorado e flutuante é dinâmica e porosa, favorecendo erosão gradual da base da geleira.
Conhecida como a “rolha de champanhe”, a linha de flutuação é o ponto de ancoragem que sustenta o peso da geleira. Com o avanço da corrosão pela água quente, essa zona de apoio pode reduzir, elevando o risco de colapso acelerado do conjunto.
Plano de intervenção de geoengenharia tem sido discutido entre pesquisadores, incluindo a instalação de barreiras submarinas para bloquear as correntes quentes. Caso executado, seria um marco global, ainda sem definição de viabilidade, custos ou impactos ambientais.
Resumo dos dados principais sobre a Geleira Thwaites:
- Área total: cerca de 192.000 km²
- Contribuição atual ao nível do mar: ~4%
- Elevação estimada em caso de colapso: 65 cm a 1 metro
- Recuo da linha de flutuação desde 1992: 14 km (com taxas de até 1,2 km/ano em áreas específicas)
- Profundidade do furo perfurado pelo ITGC: 600 metros
O Icefin, ao registrar a geometria da base, indica que modelos atuais subestimam a complexidade do degelo antártico. A presença de superfícies irregulares, fendas profundas e terraços escalonados sugere padrões de derretimento que exigem revisões nas projeções. Apesar da incerteza, a comunidade científica concorda que a Geleira Thwaites continua como um indicador crucial da estabilidade climática mundial.
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