- Uma baleia-jubarte percorreu cerca de 15.100 km, ligando Abrolhos, Brasil, em 2003, até Hervey Bay, costa de Queensland, Austrália, em setembro de 2025.
- A distância é considerada o maior trajeto já documentado entre avistamentos do mesmo indivíduo.
- A identificação foi feita com base nas placas da nadadeira da cauda (fluke) e confirmada por meio do projeto Happywhale, que usa IA para reconhecer possíveis correspondências.
- Os pesquisadores destacam que os dois avistamentos representam a primeira troca registrada entre as populações brasileira e australiana oriental, sugerindo eventos de vida únicos.
- O estudo indica que migrações entre áreas de alimentação e reprodução podem variar com mudanças climáticas, reforçando a necessidade de cooperação internacional para a conservação.
A baleia-jubarte realizou uma viagem de aproximadamente 15.100 km do Brasil até a costa leste da Austrália, marcando o maior percurso já documentado entre avistamentos de um mesmo indivíduo. O animal foi fotografado pela primeira vez em 2003, no Banco de Abrolhos, na Bahia.
Em setembro de 2025, a jubarte foi avistada em Hervey Bay, no litoral de Queensland. A distância entre os dois registros destaca um padrão de deslocamento extremo que os pesquisadores consideram inédito.
A identificação ocorreu a partir de um acervo de fotos no Happywhale, plataforma que reúne registros de pesquisadores e cidadãos para distinguir indivíduos por meio de suas barbatanas caudais. As marquinhas e formatos são únicos como impressões digitais.
O Happywhale utiliza algoritmo de IA para reconhecer correspondências entre imagens. A ferramenta permitiu confirmar que as fotos de 2003 e 2025 são do mesmo animal, segundo os cientistas envolvidos no estudo.
Entre 1984 e 2025, o acervo total de fotos de jubartes na Austrália Oriental e na América Latina compreendeu 19.283 registros, e os dois avistamentos representam apenas 0,01% dos indivíduos identificados nessa base.
Os pesquisadores ressaltam que se trata de dois casos de troca de posição entre populações brasileiras e australianas, com intervalos de reavistamento de seis a 22 anos, sugerindo eventos incomuns de vida inteira, não migrações periódicas.
O estudo também indica que o trajeto pode ter sido diferente do caminho reto entre as costas, e que não se tem informação sobre o que ocorreu entre os dois pontos. A migração típica da jubarte australiana envolve ida e volta entre áreas de alimentação antárticas e áreas de reprodução ao redor da Grande Barreira de Coral.
Essa descoberta reforça a necessidade de cooperação internacional na conservação de recursos marinhos, visto que as baleias percorrem fronteiras. Os pesquisadores apontam que mudanças climáticas podem alterar padrões de migração futuras, especialmente nas áreas de alimentação no Southern Ocean.
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