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Desaprender para conviver com a IA, aponta Silvio Meira

Silvio Meira afirma que IA redefine o trabalho: humanos validam código gerado por máquinas; no Porto Digital, é proibido trabalhar sem agente inteligente.

19/05/2026 - Silvio Meira: “a gente precisa desaprender” Um dos fundadores de polo tecnológico no Recife fala sobre impactos da IA. Foto: CIn-UFPE/Divulgação
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  • Silvio Meira voltou ao Conselho de Administração do CESAR, 30 anos após ter ajudado a fundar a instituição, durante as comemorações do centro.
  • O CESAR foi a semente do Porto Digital, hoje um dos principais polos de inovação tecnológica do país, com quase 500 empresas na região do Recife Antigo.
  • Meira afirma que a inteligência artificial imita a capacidade cognitiva humana e pode automatizar grande parte de tarefas repetitivas e de escrita de código, cabendo aos humanos apenas validar qualidade, segurança e funcionamento.
  • No Porto Digital, empresas spin-off do CESAR devem trabalhar com um agente inteligente criado por eles; trabalhar sozinho é proibido. A IA pode reduzir equipes e acelerar entregas, com ganhos de produtividade significativos em vários projetos.
  • Sobre regulação, ele critica a falta de ações e a participação insuficiente do governo, aponta exemplos da China para regulação de plataformas e defende regras públicas debatidas com a sociedade para evitar abusos e proteger direitos.

Silvio Meira, engenheiro e um dos fundadores do CESAR, anunciou seu retorno ao Conselho de Administração da instituição durante as comemorações de aniversário do centro. A decisão ocorre 30 anos após a criação do CESAR, em Recife, e aponta para uma retomada das raízes inovadoras da organização.

OCESAR foi criado em 1996 por docentes do CIn-UFPE com o objetivo de reter talentos em tecnologia. Hoje, o CESAR é apontado como semente do Porto Digital, polo que abriga centenas de empresas de tecnologia no Recife Antigo.

Meira afirmou que a inteligência artificial representa o maior desafio da humanidade, destacando a necessidade de reconfigurar funções humanas diante da automação. O foco, segundo ele, é definir o que deve ser codificado e como validar esse código.

Para ilustrar o impacto da IA, o engenheiro citou que a IA já escreve grande parte do código utilizado hoje, sendo capaz de executar tarefas antes exclusivas de profissionais qualificados. O papel humano passa a residir na governança, validação e segurança dos sistemas.

O executivo descreveu a prática no Porto Digital, onde empresas spin-off do CESAR já operam com agentes inteligentes para atividades repetitivas. Segundo Meira, é proibido trabalhar sem IA; o uso de agentes reduz custos e acelera entregas.

Sobre a transformação do trabalho, ele frisou que será necessário desaprender e adaptar. Em comparação histórica, mencionou a transição de carroças para automóveis nos EUA entre 1903 e 1913, para enfatizar ganhos de produtividade com IA.

Meira também tratou de regulação e transparência, defendendo modelos regulatórios que conciliem liberdade com limites. Ele citou a necessidade de regras para plataformas digitais, sem abrir mão de princípios democráticos.

Questionado sobre eleições e regulação, o executivo apontou falhas passadas na condução pública brasileira e ressaltou que a regulação é necessária para evitar abusos, proteger dados e promover competição leal.

O líder do CESAR reconheceu a influência das pressões de lobbies no Congresso, mas ressaltou que a regulação exige ação institucional firme. Segundo ele, a participação da sociedade e das plataformas é essencial para avanços responsáveis.

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