- Geleira Hektoria, na Península Antártica, recuou cerca de 24 quilômetros em quinze meses, um dos recuos mais rápidos já observados.
- Estudo publicado na Nature Geoscience, liderado por Naomi Ochwat e Ted Scambos, aponta fatores como aquecimento das águas oceânicas, perda de gelo marinho protetor, fragmentação, afinamento e instabilidade da base rochosa.
- A perda envolve gelo ancorado no solo, contribuindo para o aumento do nível do mar.
- Imagens de satélite indicaram desprendimento impulsionado pela flutuabilidade, com água do mar penetrando sob partes da geleira durante as marés e provocando rompimentos.
- Missões e tecnologias de sensoriamento remoto, como NISAR e SWOT, devem ampliar o monitoramento; a fase mais extrema pode ter passado, mas o recuo deve continuar de forma lenta.
A geleira Hektoria, na Península Antártica, recuou cerca de 24 quilômetros em 15 meses, apontando para um dos deslocamentos glaciais mais rápidos já registrados. O cálculo foi divulgado por pesquisadores em estudo publicado na Nature Geoscience.
O trabalho, liderado por Naomi Ochwat e Ted Scambos, aponta que o colapso ocorreu em ritmo acelerado e envolve gelo ancorado ao leito, cuja perda eleva o nível do mar. Entre os fatores listados estão aquecimento das águas, perda de gelo marinho protetor e fragmentação acelerada.
Observações por satélite mostraram que a língua de gelo se desfez de forma contínua, com o afinamento progressivo da geleira ao longo do tempo. A retração ocorreu após a destruição de proteções naturais na região, como a plataforma Larsen B, em 2002.
Causas e mecanismos
Os pesquisadores destacam o papel de águas oceânicas mais quentes e da retirada do gelo marinho costeiro. Também houve enfraquecimento da base rochosa sob a geleira, contribuindo para o deslocamento acelerado. Em poucos meses, blocos de gelo se desprenderam.
Foi identificado o processo de desprendimento impulsionado pela flutuabilidade, em que a água invade sob partes da geleira durante as marés. Ao deixar o gelo fino, áreas maiores podem ruir quase que simultaneamente, acelerando o colapso.
O estudo indica que esse mecanismo pode ocorrer em outras geleiras da Antártida, além de Groenlândia e Alasca. Por isso, o fenômeno preocupa pela possibilidade de novas ocorrências semelhantes.
Monitoramento e perspectivas
Tecnologias de sensoriamento remoto e dados de satélite sustentam as análises. Missões como NISAR e SWOT devem ampliar o monitoramento das regiões polares nos próximos anos.
Apesar de acreditar-se que a fase mais extrema já tenha passado, a geleira deve continuar recuando lentamente. O caso da Hektoria evidencia como o aquecimento global pode acelerar mudanças em regiões consideradas estáveis.
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