- O epidemiologista Neil Vora, ex-CEI da CDC, diz que medidas imediatas são necessárias para impedir pandemias, em meio a mais de 80 mortes suspeitas por Ebola no Congo envolvendo o vírus Bundibugyo.
- Segundo Vora, essa cepa de Ebola é especialmente arriscada porque não há tratamento ou vacina aprovados; também cita o hantavírus Andes, que já matou três pessoas em um cruzeiro, como outro exemplo de risco zoonótico.
- Embora não haja expectativa de pandemia por Ebola ou hantavírus, Vora afirma que os estados-membros da Organização Mundial da Saúde estão despreparados para enfrentar uma pandemia.
- A OMS poderia ter avançado com um acordo global para enfrentar pandemias, mas as discussões sobre compartilhamento equitativo de ferramentas, como vacinas, estagnaram.
- Medidas agora, segundo Vora, incluem banir fazendas de peles na União Europeia, para reduzir o risco de transmissão de doenças; Dinamarca proibiu temporariamente a criação de visons após surto em 2020.
Neil Vora, ex- agente da CDC, afirma que medidas devem ser tomadas já para evitar pandemias na origem, destacando a interligação entre ameaças sanitárias, destruição da floresta e crises zoonóticas. A afirmação chega dias após a OMS anunciar mais de 80 mortes suspeitas por Ebola na RDC e em Uganda.
Vora explica que a cepa Bundibugyo do vírus Ebola é especialmente perigosa, pois não há tratamento ou vacina aprovados. Ele ressalta que tanto esse vírus quanto o hantavírus Andes, originário de Chile e Argentina, não devem desencadear uma pandemia, mas alerta sobre a preparação fraca dos Estados-membros da OMS.
Segundo o epidemiologista, houve falha em obter um acordo pandêmico que garanta compartilhamento equitativo de ferramentas, como vacinas. Enquanto as negociações estagnaram, surgem novas outbreaks de vírus zoonóticos e riscos de disseminação.
Entre as ações indicadas estão medidas já operáveis, como a proibição de criação de fur farms na União Europeia. O tema é discutido pela Comissão Europeia, que ainda não decidiu sobre uma proibição continental, segundo Vora.
Ele cita ainda exemplos passados, como o Denmark em 2020, que matou 17 milhões de mustelídeos após o salto do coronavírus para os animais e sua rápida mutação. A prática, segundo o especialista, evidencia o custo público de crises de origem animal.
Neil Vora é diretor executivo da Preventing Pandemics at the Source Coalition, organização voltada a ações preventivas. A pauta do grupo envolve medidas de vigilância, biossegurança e cooperação internacional para reduzir riscos.
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