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Orelhão: origem e fim do telefone público no Brasil

Após décadas de uso massivo, orelhões são retirados; restam cerca de nove mil até 2028, e o fim definitivo depende da conclusão da substituição

História do Orelhão: origem e fim do telefone público no Brasil
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  • O orelhão foi criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, com dois modelos chamados Chu I e Chu II, usando acrílico e fibra de vidro e formato inspirado em ovo.
  • Ao longo das décadas, somaram-se mais de um milhão e meio de terminais instalados em todo o país, marcando a história das telecomunicações brasileiras.
  • A implantação ocorreu a partir de setenta e um e sessenta e dois, com a cor laranja tornando-se característica e estruturas com dois ou três aparelhos para reduzir filas.
  • Surgiram os cartões telefônicos em mil novecentos e noventa e dois (implantação ECO-92); no fim, o surgimento dos celulares acelerou a queda do uso dos orelhões. Em dois mil e quatorze, sessenta por cento foram desligados.
  • Em dois mil e vinte e cinco, as concessões de telefonia fixa terminaram, e em dois mil e vinte e seis a maior parte dos orelhões foi removida, restando cerca de nove mil ativos até dois mil e vinte e oito.

A história do orelhão acompanha a evolução das telecomunicações no Brasil, desde a chegada da telefonia até o declínio dos telefones públicos nas ruas. O equipamento marcou gerações e chegou a ter mais de 1,5 milhão de terminais instalados em todo o país. Hoje, são raros de encontrar nas vias públicas.

A cabine foi criada para democratizar o acesso, em uma época em que poucas famílias tinham telefone fixo. O design oficial ficou a cargo de Chu Ming Silveira, arquiteta chinesa que liderou o Departamento de Projetos da CTB. Os modelos Chu I e Chu II deram origem ao orelhão, com versões para paredes, ruas e praças.

Origem e evolução

A CTB, controlada pelo governo a partir dos anos 60, expôs o Brasil ao serviço público de telecomunicações. Em 1972, os orelhões começaram a ganhar distribuição nas capitais, com a cor laranja marcando presença e estruturas com dois ou mais aparelhos para atender filas.

Nos anos seguintes, cabines azuis passaram a atender chamadas entre estados. O sucesso veio acompanhado de desafios, como depredação. Em 1979, a campanha da operadora Telesp, chamada de Morte do orelhão, ficou famosa na televisão.

Da transição tecnológica ao fim

Com o crescimento das ligações residenciais e a popularização dos celulares, o uso dos orelhões caiu. Em 2014, a Anatel e operadoras desligaram cerca de 60% dos terminais pelo baixo retorno financeiro. A Oi entrou em recuperação judicial dois anos depois, impactando o serviço.

Entre 2015 e 2020, restaram cerca de 800 mil orelhões em funcionamento, reduzidos a 200 mil um ano depois. Em 2025, o governo entregou o fim das concessões de telefonia fixa, retirando obrigações de manter a infraestrutura pública.

Em janeiro de 2026, a retirada da maioria dos orelhões ganhou ritmo. Cerca de 38 mil aparelhos ainda estavam ativos, concentrados principalmente em São Paulo, com 9 mil permanecendo até 2028 em áreas com sinal 4G instável. O destino definitivo parece apontar para o fim definitivo do serviço.

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