- O platypus é um mamífero ovíparo da Austrália em risco, com estimativa de cerca de 50 mil indivíduos e classificação de quase ameaçado pela IUCN, baseada em dados de 2014.
- Pesquisadores duvidam dos números e destacam que o platypus é difícil de localizar e contar, enfrentando perda de habitat ribeirinho e expansão humana.
- Estudo publicado na revista Australian Mammalogy aponta que cenários de ameaça ambiental, como eventos climáticos extremos, elevam o risco de extinção.
- Há um marco para conservação: ações em situ (no local) ou translocação, com zoológicos atuando em respostas rápidas; ainda falta dados sobre onde vivem e quantos existem.
- A ciência cidadã tem papel central no preenchimento de lacunas, com mapeamento de avistamentos e uso de DNA ambiental; a poluição também compromete a disponibilidade de alimento.
O ornitorrinco é um mamífero semiaquático de bico similar ao de pato, nativo da costa leste da Austrália. Possui cloaca, temperatura corporal baixa e esporos venenosos nos machos. A espécie coloca ovos e alimenta seus filhotes, além de detectar presas por meio de eletroreceptores.
Estima-se que haja cerca de 50 mil indivíduos na lista vermelha da IUCN, classificado como quase ameaçado. No entanto, esse número baseia-se em avaliação de 2014, com a tendência de queda já observada na época. Pesquisadores destacam dificuldades de contagem.
O acompanhamento científico é desafiado pela dificuldade de localizar e contar platypus. Além disso, a perda de habitat ribeirinho e a expansão humana agravam o risco de extinção, conforme estudo recente.
Dados e desafios da contagem
Nova pesquisa na revista Australian Mammalogy aponta que cenários de desastres ambientais elevam o risco. Secas, incêndios e inundações podem dizimar populações ao dificultar a fuga e o acesso a alimento.
O estudo defende resposta proativa com base em habitat e risco, destacando a necessidade de dados sobre localização e números dos platypus para orientar ações de conservação e emergência.
A pesquisa ressalta que apenas equipes licenciadas podem coletar dados in loco, usando redes e mergulho noturno. Michelle Ryan, autora e gestora de projetos, afirma que há poucos grupos dedicados a esse trabalho.
Ameaças e respostas emergenciais
Historicamente, eventos como o Black Summer de 2019-2020 atingiram 240 mil km² de território australiano, aumentando a pressão sobre a espécie. A seca anterior reduziu cursos d’água, deixando animais presos em lagoas encolhidas.
Falta infraestrutura de resposta inicial para platupus atingidos por secas e incêndios. Zoo Taronga e instituições associadas defendem abrigos temporários com água corrente e alimentação de alta proteína para resgate e possível translocação.
A investigação aponta que compreender onde vivem os platypus, bem como seus hábitos, é crucial para priorizar ações de conservação e resposta a desastres naturais. A preservação de habitats fragilizados aparece como eixo central.
Ciência cidadã e poluição como gatilhos
Projetos de ciência cidadã ajudam a fechar lacunas de dados, com mapeamento de avistamentos e uso de DNA ambiental para monitorar presenças sem captura. Grupos locais trabalham com proprietários de terras para ampliar o alcance das inspeções.
A poluição emergente, proveniente de esgoto, mineração, indústria e contaminação por PFAS e metais pesados, afeta a disponibilidade de alimento dos platypus. A redução de poluentes é apontada como crucial para a sobrevivência da espécie.
Pesquisadores destacam que, sem alimento suficiente, os platypus podem abandonar áreas habituais, ampliando o risco de extinções locais. A combinação de mudanças climáticas e perda de habitat continua sendo o principal desafio para a conservação.
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