- Estima-se que haja entre 100 e 500 indivíduos da pomba-careca-de Timor no mundo, o que pode exigir a mudança de “em perigo” para “em perigo crítico” na lista da IUCN.
- A espécie é endêmica de Timor, Rote e ilhas adjacentes da Indonésia oriental e Timor-Leste, e hoje está praticamente extinta na Indonésia, com nenhum registro em Timor Ocidental desde 2005 e em Rote desde 2009.
- Além da perda de habitat, a caça reiterada nas últimas décadas é apontada como o principal motivo do colapso populacional, especialmente pela baixa resposta de fuga das aves.
- O último reduto da espécie está no parque nacional Nino Konis Santana, em Timor-Leste, onde as aves ficam cada vez mais restritas às áreas florestais remotas de baixa altitude.
- Pesquisadores defendem ações de conservação baseadas na comunidade, educação pública e fortalecimento de proteções tradicionais indígenas, além de aumento de recursos para o parque para cuidar de espécies ameaçadas.
O timor-green pigeon pode desaparecer sem ação imediata, aponta estudo. A espécie Treron psittaceus, extremamente rara, tem menos de 500 indivíduos no total do ambiente selvagem. Pesquisadores propõem revisar o risco de extinção de “endangered” (em perigo) para “críticamente em perigo”.
O pomar verde das Timor inclui plumagem de tom mango e é endêmica de Timor, Rote e ilhas adjacentes, na Indonésia oriental e no Timor-Leste. Anteriormente estimada entre dezenas de milhares, a população encolheu significativamente nas últimas décadas. A avaliação global aponta 660 a 2.000 indivíduos maduros, segundo a IUCN.
Mas o novo levantamento, reunindo observações publicadas e dados de levantamentos de campo entre 2002 e 2025, aponta apenas 100 a 500 aves em todo o mundo. A espécie está praticamente extinta em Indonesia, sem registros em Timor Ocidental desde 2005 e em Rote desde 2009.
Contexto de ameaça e local de maior risco
Segundo o estudo, a perda de habitat tem ocorrido ao longo de cerca de um século, porém a caça intensiva nas últimas décadas é apontada como principal causador do colapso populacional. A vulnerabilidade aumenta pela ausência de resposta de fuga da ave frente à caça.
No Timor-Leste, a região de Lautém é destacada como área de maior pressão de caça. Em relatos dos pesquisadores, o pássaro é chamado localmente de tule, termo que sugere “surdo”, pela persistência de alimentação mesmo com disparos, facilitando capturas em sessões únicas.
Perspectivas de conservação e ações propostas
A linha de frente do esforço permanece no Timor-Leste, sobretudo no Parque Nacional Nino Konis Santana, onde as aves passam a ocupar áreas florestais menos acessíveis. Pesquisadores ressaltam que a proteção indígena pode contribuir para a conservação, com regras tradicionais que estruturam a proteção de florestas quando orientadas por autoridades comunitárias.
Entre as medidas indicadas, destacam-se programas educativos e campanhas de comunicação voltadas a comunidades de Lautém, além de ações de fortalecimento da fiscalização ambiental. A necessidade de mais recursos para a gestão do parque também é ressaltada, pois, segundo o estudo, o monitoramento de espécies ameaçadas enfrenta limitações de equipe e infraestrutura.
Pesquisadores defendem que a resposta envolva ações conjuntas entre comunidades, governos e organizações de conservação, com foco inicial na redução da caça e no aumento da proteção de áreas críticas. As informações foram compiladas para a rede científica e veiculadas por meio de veículos de divulgação ambiental, com base em dados de campo até 2025.
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