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Stanford: extraem 2 litros de água do ar sem eletricidade por dia

Hidrogel de Stanford capta água do ar com energia solar, sem eletricidade de rede, rendendo até dois litros por dia e apresentando maior durabilidade

Hidrogel da Stanford que extrai água potável do ar usando energia solar
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  • Pesquisadores da Universidade de Stanford apresentaram um hidrogel que captura água do ar usando energia solar, sem eletricidade de rede.
  • O sistema, composto por cloreto de lítio e poliacrilamida, rende até 2 litros por dia por painel.
  • A inovação reside na durabilidade: o gel já passou de 190 ciclos de captação e liberação sem falhas relevantes.
  • A melhoria veio de um revestimento anticorrosão no metal em contato com o gel, que impede a formação de radicais que degradavam o polímero.
  • O objetivo é chegar a 5 litros por painel e reduzir o custo para cerca de 1 centavo de dólar por litro, com aplicações em comunidades isoladas e em indústrias que consomem muita água.

Pesquisadores da Universidade de Stanford desenvolveram um hidrogel capaz de extrair água potável do ar usando apenas energia solar, sem eletricidade de rede. O estudo, divulgado em maio de 2026 na Nature Communications, afirma que o avanço está na durabilidade do material, não apenas na captação. A produção indicada é de até 2 litros por dia por área correspondente a um painel simples.

O composto combina cloreto de lítio, que absorve umidade, com poliacrilamida, um polímero superabsorvente. O gel retém entre duas e quatro vezes seu peso em água, formando uma rede estável. À noite, o material absorve vapor do ar; durante o dia, uma lâmina de alumínio preta aquecida pela energia solar libera o vapor, que condensa em água potável. Não há uso da rede elétrica.

Para evitar degradação anterior, causada pela interação com o painel metálico que liberava radicais, foi aplicado um revestimento anticorrosão na superfície de contato. Dessa forma, íons não migram para o gel e os radicais que destruíam o polímero não se formam mais.

Resultados divulgados indicam mais de 190 ciclos de captação e liberação sem falhas relevantes. Em testes acelerados a 75 °C, o material permaneceu estável por mais de oito meses, superando o desempenho esperado em telhados reais. O estudo detalha o protocolo experimental e as condições de avaliação.

Atualmente, a geração de água chega a 2 litros diários em uma camada de gel sobre o tamanho de uma toalha de banho. O objetivo do grupo é alcançar 5 litros por painel e reduzir o custo para cerca de 1 centavo de dólar por litro, equivalente a 1% do preço da água engarrafada nos Estados Unidos.

Entre as aplicações, destacam-se comunidades isoladas em regiões áridas e indústrias com alta demanda hídrica, como fábricas de semicondutores e data centers. O sistema, passivo e de baixo custo, não produz resíduos líquidos e funciona com energia solar, sem conexão à rede elétrica.

O pesquisador Carlos Diaz-Marin, coautor, observa que o caminho ainda envolve ampliar a escala, aprimorar a eficiência térmica e validar o material em condições reais. A rota comercial pode envolver criação de startup ou licenciamento, com certificação sanitária e fabricação em escala. O estudo completo está disponível na Nature Communications.

Enquanto a tecnologia não chega a comunidades inteiras, a equipe ressalta o potencial de uma solução complementar para regiões e setores onde há escassez de água e restrições de infraestrutura. O hidrogel não pretende substituir outras fontes, mas oferecer uma opção adicional de suprimento hídrico.

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